Ensinando a Feijóo o uso dos pronomes em galego

Dedico o meu artigo de hoje ao futuro presidente da Junta da Galiza, Alberto Núñez Feijóo, ainda que o conselho é extensível a outros políticos, como os dirigentes saíntes Touriño e Quintana.

Segundo Feijóo, não se pode impor o galego no ensino, e cumpre respeitar a vontade dos pais e mães de escolarizarem os filhos quer em galego, quer em castelhano, se bem não respondeu como pretende fazer isso.

O caso é que dada a situação sociolinguística para garantir um conhecimento suficiente do galego cumpre ter mais aulas nesta língua do que em castelhano para se dar um aprendizado similar das duas línguas. Isto é, para saber igual galego que de castelhano, cumprem mais aulas de galego. Não vou explicar eu os pormenores disto, porque há avondos estudos sociolinguísticos sobre a matéria (e Feijóo faria bem em lê-los e consultar com especialistas de verdade,  nacionais e internacionais, e não com amadores como os de Galicia Bilingüe).

O próprio Alberto Núñez Feijóo e a que será a sua equipa de governo são exemplos vivos desta falta de competência no uso do galego, cujo principal sintoma é, ao meu ver, o mau uso dos pronomes átonos. «Me parece», «nos querem impor» ou «eu vos digo» são expressões de uso corrente na boca de Feijóo.

Já em 2003 o amigo Bernardo Penabade (ex presidente da AGAL), advertia meio em broma do «avanço da brigada social do pronome descolocado». Mas o certo é que, seis anos depois, parece que em verdade essa brigada não deixa de avançar, sobretudo na classe política.

Por este motivo, dou ao futuro presidente (que tomará posse do cargo no Dia da Mentira) uma lição rápida sobre a boa colocação do pronome átono.

Por regra geral, o pronome vai colocado depois do verbo.

Exemplo 1: Ele deu-me um livro.

Exemplo 2: Ontem, vendo a lua, lembrei-te.

Exemplo 3: Aonde quer que vá, levarei-vos comigo.

Exemplo 3: Eu levo-a comigo. | Eu a levo comigo.

Porém, nas orações subordinadas (antecedidas por advérbios como “que”, “ou”…) e nas frases negativas  (antecedidas por “não”, “nunca”, “jamais”, “ninguém”, “nada”…), dubitativas (introduzidas por “talvez”, “se quadra”, “se calhar”, “quiçá”, “pode ser que”…) ou interrogativas, o pronome coloca-se antes do verbo.

Exemplo subordinada 1: Disse que tu mo dirias. | Disse que tu dirias-mo.

Exemplo subordinada 2: Joana, se lho contas a alguém não será um segredo. | Joana, se contas-lho a alguém, não será um segredo.

Exemplo subordinada 3: Ou lhes dizes quem és, ou vais preso. | Ou dizes-lhes quem és, ou vais preso.

Exemplo negativa 1: Eu não quero que ninguém che diga o que deves fazer. | Eu não quero que ninguém diga-che o que deves fazer.

Exemplo negativa 2: Gostaria de que nunca te fosses do meu lado. | Gostaria de que nunca fosses-te do meu lado.

Exemplo negativa 3: Luzia jamais lhe contou aquilo a ninguém. | Luzia jamais contou-lhe aquilo a ninguém.

Exemplo dubitativa 1: Talvez cho perguntem amanhã. | Talvez perguntem-cho amanhã.

Exemplo dubitativa 2: Seica te viram com eles. | Seica viram-te com eles.

Exemplo interrogativa 1: Porquê mo contas? | Porquê contas-mo?

Exemplo interrogativa 2: Quando cho disseram? | Quando disseram-cho?

Contudo, e apesar do anterior, há casos em que o pronome pode ir tanto antes como depois do verbo. Acontece isto com alguns advérbios ou perífrases dubitativas (mas nem sempre), e sempre que pronome se encontra com um infinitivo antecedido de preposição  (agás se a preoposição for “a” e o pronome também “a”). Neste último caso, o castelhano inverte a sua ordem tradicional (“quiero decirte” e não “quiero te decir”), mas em galego o uso mais tradicional é com o pronome antes.

Exemplo dubitativo 1: Talvez no-lo deverias contar | Talvez deverias-no-lo contar.

Exemplo dubitativo 2: Se calhar cho perguntam amanhã.  | Se calhar perguntam-cho amanhã.

Exemplo infinitivo 1: Para a teres contenta, sê boa pessoa. | Para terela contenta, sê boa pessoa.

Exemplo infinitivo 2: Sem me dares uma boa escusa, não te creio. | Sem daresme uma boa escusa, não te creio.

Exemplo infinitivo 3: Não gostou das flores por lhe passares a factura. | Não gostou das flores por passareslhe a factura.

 

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  • llik

    Como dicía hai us días Callón… a cuestión é dende cando está xustificada a ignoracia por un “suposto esforzo” de aprendizaxe…

  • berto

    gerardinhoooouuuu que chapas botas

    • Tampouco é tão longo o artigo, Berto… a culpa é dos exemplos! 😀

  • Persoalmente, eu creo que nom compre respeitar nada. A língua da Galiza é o galego, e o castelám aí nom havia pintar nada porque nom é mais ca unha língua estrangeira imposta… Mais claro, opino sem ter estado nunca na Galiza…
    E perdoa se pugem mal algum pronome xD

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