A AGAL, coerente

A AGAL define-se a si própria como:

[…] umha associaçom sem ánimo lucrativo, legalmente constituída em 1981, que visa a plena normalizaçom do Galego-Português da Galiza e a sua reintegraçom no ámbito lingüístico a que historicamente pertence: o galego-luso-brasileiro.

O Galego-Português, na Galiza denominado Galego e internacionalmente conhecido como Português, é a língua própria de Galiza, Portugal e Brasil, sendo também língua oficial em Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor Lorosae…, comunidade lingüística internacional conhecida como Lusofonia (também Galegofonia ou Galego-Lusofonia).

conforme-novo-acordo-corPartindo desta premissa, e de que nos seus estatutos assinala como objectivo logar uma «substancial reintegraçom idiomática e cultural do galego (nomeadamente nas suas manifestaçons escritas) na área lingüística e cultural que lhe é própria: a galego-luso-africano-brasileira», não pode colher a ninguém por supresa a seguinte notícia, na qual a Comissom Lingüística da associação anuncia uma «próxima actualizaçom da sua seguinte normativa».

Não se trata pois de qualquer deriva (como tem dito o nosso mais insigne intoxicador), de uma viragem lusista (*), mas de agir em consequência com o estipulado nos seus estatutos, já que de incumpri-los a AGAL veria-se na obriga de dissolver-se (como insta a legislação vigente).

E é que se a AGAL pretende continuar a procurar essa reintegração, não pode ir contra-corrente ignorando que no resto de países lusófonos se está a implementar progressivamente um Acordo Ortográfico para a unificação da escrita, e mesmo apesar de todas as oposições o processo é imparável (como evidenciam os apontamentos do amigo Nuno Gomes). Deste jeito, intuo que a Comissom Lingüística da AGAL procederá a eliminar o uso do trema (usado em palavras como “aqüícola” ou “freqüência”), simplificará os grupos cultos (“repto”, “olfacto”, “eléctrico”) e previsivelmente pouco mais.

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(*) Por outra parte, tampouco ninguém (ao menos nenhuma pessoa inteligente) pensou que a RAG se volvesse reintegracionista quando aprovou a reforminha ortográfica de 2003, que proporcionalmente afectava muito mais o galego-isolacionista do que fará agora a AGAL com a su aproposta normativa (pois atingia a morfologia, sendo que aqui só afectará a ortografia).

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