Vulgarismos do castelhano e do ‘português’, formas cultas ILG-RAG

A seguir colo uma PEQUENA lista de vulgarismos do castelhano e do ‘português’ que a norma ILG-RAG adopta como formas cultas com um critério mais do que duvidoso (isto é, diferenciar-se por sua vez das normas cultas castelhana e portuguesa). Não estão todos e haveria muitos mais, mas bastem estes como exemplo das incoerências normativas ILG-RAG e do afã diferencialista e acientífico.

  • Dende, um conhecido namekusei-jin
    Dende, um conhecido namekusei-jin

    Nin: Em Portugal e Espanha também se regista o vulgarismo ou dialectalismo nim/nin. Escolha diferencialista frente a NEM (pt) e NI (es).

  • Ata: A única forma registada na Idade Média na Galiza é, em todo o caso, atá, segundo tem demonstrado Martinho Montero Santalha. Na Galiza ainda hoje podem-se ouvir ATÉ e  ATE. Escolha diferencialista ILG-RAG frente a ATÉ (pt) e HASTA (es).
  • Dicir: Forma dialectal frente a DIZER (pt; também usada na Galiza) e DECIR (es). Surpreende que não escolhessem, por exemplo, a forma DEZER, também existente na Galiza.
  • Dende: Vulgarismo amplamente documentado em diferentes dialectos castelhanos. Escolha diferencialista frente a DESDE, forma maioritária na Galiza e comum (e coerente) com toda a România. Contudo, DESDE também é aceite na norma ILG-RAG, mas…
  • Vostede: Directamente, uma forma criada no século XX a partir da forma vulgar castelhana vusté/vosté. A forma correcta, VOCÊ, procede do antigo VOSSA MERCÊ. A forma VOSTEDE, com essa sequência -ST-, só poderia vir de VOST-… de vosté, é claro (em castelhano estão documentadas as formas dialectais usté, osté, vusté, vosté… face à única forma culta USTED).
  • Segundas pessoas do singular do pretérito perfeito acabadas em -s: Refiro-me a formas como “andaches”, “viñeches”, “puxeches”… quando as normas cultas portuguesa e castelhana, com mais séculos de tradição, assinalam que estas terminações em -s são vulgarismos. Mas como impera o diferencialismo…
  • Tamén: Em todas as línguas latinas ibéricas existem formas irmãs de ‘tamén’. Em Portugal registamos ‘tamém’ (face à culta TAMBÉM), em castelhano ‘tamién’ (face à culta TAMBIÉN), em catalão ainda ‘tamé’ (face à culta TAMBÉ). Os criadores da norma ILG-RAG, mais uma vez, optam pola forma vulgar TAMÉN face à culta TAMBÉM (ou “tambén”, como deveria ser na sua normativa).
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