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A nova presença do BNG

Há dous meses, Xosé Manuel Sarille encetou uma série de artigos (entendo que ainda inconclusa) nos quais reflete sobre a situação política galega, o recente ascenso do nacionalismo no Parlamento e as perspetivas que deste fenómeno se podem derivar. Recomendo a leitura destas análises parciais, porque entendo que estão feitas com afã construtivo, mesmo não concordando com boa parte do seu conteúdo. Relizo aqui algumas considerações a respeito. [Todas as entregas podem ser lidas aqui: 1 | 2 | 3 | 4).

Parte I

A primeira entrega do Sarille situa-nos na desfeita eleitoral de 21 de outubro de 2012, com o Feijóo revalidando a primeira maioria absoluta e uma nova força política, Alternativa Galega de Esquerda (AGE), dando a surpresa ao se situar como terceira força, por diante de um BNG que iniciava desta maneira uma dura caminhada no deserto.

A esta situação de decomposição chegou-se, analisa o Sarille, depois do Bipartido perder em 2009 a Junta frente ao PP do Feijóo e as tensões colapsarem o projeto nacionalista. Com certeza, o poder costuma ser balsâmico e apaga as diferenças, enquanto a perda de poder excita o conflito interno que, seja dito, foi muito vivo nessa época.

Com efeito, o BNG sofreu um processo de decomposição desde a Assembleia Nacional de Âmio (28 e 29 de janeiro de 2012), mas as diferenças eram já irreconciliáveis muito tempo antes. Derrotados em Âmio, iniciariam a saída do Bloco o Encontro Irmandiño (14 de fevereiro) e Máis Galiza (11 de março), as correntes lideradas, respetivamente, por Xosé Manuel Beiras (e Martiño Noriega) e Carlos Aymerich (e Xoán Bascuas). O EI acabaria-se integrando com a FPG e outros pequenos coletivos em Anova-Irmandade Nacionalista (julho), pouco mais tarde de que +G se unisse também a outras formações menores para constituir Compromiso por Galicia (maio). Carlos Aymerich, porém, decidiu continuar inicialmente no BNG sob a nova denominação Abrente, a qual acabaria também abandonando o BNG quatro anos depois (fevereiro de 2016).

Para as eleições autonómicas de 2012, a recém-nada Anova encontrou uma aliada na Esquerda Unida da ferrolana Yolanda Díaz. Assessorada por um tal Pablo Iglesias Turrión, Díaz colocou a estrutura capilar e recursos económicos do seu partido ao serviço de um projeto beneficiado polo inegável carisma de Xosé Manuel Beiras, convertendo AGE numa sorte de fórmula eleitoral total, como chegárom a afirmar alguns analistas na altura.

Afastado do movimento 15-M

Nesta primeira entrega, o Sarille reprocha ao BNG que não se tivesse achegado aos acampamentos dos indignados (ou movimento 15-M), iniciados a 15 de maio de 2011 e pouco depois noutros lugares do Estado, porque precisamente a AGE se tornaria num referente político para esse heterogéneo movimento.

[…] en maio de 2011, o movemento indignado chega a Galicia e o Bloque decide non participar. Apenas unha visita ao campamento do Obradoiro de Ana Pontón, se non lembro mal, e a mensaxe máis ou menos oficial de que ese fenómeno non era galego, senón unha mímese de Madrid. No sucesivo o BNG non conectou coa ampla indignación da cidadanía […]

Com certeza, a resposta tática correta teria sido aproximar-se desse movimento e aproveitá-lo politicamente. Mas as críticas formuladas polo nacionalismo galego também eram certas: o 15-M foi um movimento alheio à Galiza e profundamente espanholizador nas formas e no fundo. Custou vencer muitas resistências que assumissem com naturalidade o uso do galego nas suas comunicações, o qual já era prática dos movimentos populares havia quase quarenta anos.

Por outra parte, também era difícil um partido com fortes dissonâncias internas achegar-se homogénea e coerentemente a um movimento heterogéneo cuja expressão era totalmente diferente de Compostela a Vigo, por citar dous exemplos relevantes na altura.

É um facto que o BNG não soubo conectar com esse movimento e canalizar a sua indignação. Mas também é um facto, como demonstraria o tempo, que nem a AGE, nem as marcas que a sucedêrom, o soubérom fazer, pois a abstenção nas eleições nacionais não deixa de crescer desde 2009, quando registou um mínimo histórico (35,57 %): 45,09 % nesse 2012 marcado pola AGE e 46,37 % em 2016, quando En Marea se situou como segunda força parlamentar. Curiosamente, voltou a diminuir em 2020, quadrando com a ressurreição do BNG: 41,12 %.

Concordo com o Sarille, porém, em que esse distanciamento do 15-M lhe passou fatura no curto prazo, em que foi visto como um projeto «amortizado» —como cruelmente me espetou um amigo—, anquilosado, com dificuldade para se adaptar às novas formas de comunicação e de fazer política. Após a ruptura interna, o espaço tradicionalmente ocupado polo BNG, como parceiro dos movimentos sociais e referente da esquerda galeguista que não encontrava casa no PSOE, foi ocupado pola recém-chegada AGE.

Isso acelerou a decomposição do BNG, só que desta vez não seriam correntes internas as que o abandonassem, mas militantes a título individual e antigos cargos públicos que acumulavam capital simbólico. O BNG parecia, com efeito, um partido em regressão e caminho da irrelevância, porque precisava dar aginha com uma resposta à crise identitária que se podia abrir.

Nesta situación de desnorte, gravemente crítica, éralles imposíbel reformular o discurso nun prazo curto […]. Cumpríalles tempo para captar o que estaba a acontecer, non o asimilaban. A dificultade era enorme porque o espazo xenético deles, na esquerda, fora ocupado polo novo movemento. […] pero se aínda así tivesen azos, converteríanse en copistas, en subsidiarios do que axiña se van chamar as Mareas.

Porém, o BNG encontrou o remédio naquilo em que mais se lhe criticava: a firmeza ideológica. Frente às constantes liortas que padeceria a mal chamada esquerda rupturista entre 2012 e 2020, o BNG fizo, do pecado, virtude. Coesão ideológica, coesão organizativa mas, isso sim, anovação de processos e de ferramentas. Produziu-se o necessário revezamento generacional em todas as estruturas do partido, fôrom atualizada as alianças internacionais —apostando polas esquerdas basca e catalã (Bildu; ERC, CUP) em vez das direitas (PNV; e a antiga CiU)—, fôrom assumidas novas fórmulas de participação —como as assembleias abertas— e, embora com atraso, o BNG também soubo aproveitar as potencialidades das redes sociais —de que antes abominava—, convertendo-as numa eficaz e barata ferramenta comunicativa.

A crise económica do BNG

Porque não podemos esquecer —como omite o Sarille— que o BNG padeceu nesses oito anos de caminhada no deserto, especialmente nos primeiros quatro, uma duríssima crise económica. E aqui vou ser impiedoso. Quando o Encontro Irmandiño e Máis Galiza abandonárom o BNG, ficárom com os postos institucionais logrados sob a marca do Bloco —algo que legalmente podiam fazer—, mas, pola contra, não se responsabilizárom polos custos necessários para o lograr.

Desta maneira, a fatura económica foi paga polos restos do BNG, que já não tinha uma economia saneada: mais de 4 milhões de dívida em 2011. Isto traduziu-se numa política de austeridade máxima, que quadrou também no pior de uma crise económica, e provocou a aplicação de um expediente de regulação de emprego —despedimento coletivo e redução de salários— para as trabalhadoras e trabalhadores a soldo do BNG. Em 2014, a dívida do BNG ainda superava os 2,3 milhões e os 1,3 em 2016. Só neste ano 2020 está em níveis assumíveis, abaixo dos 200.000 euros, com a perspetiva de a liquidar definitivamente antes de 2020.

O BNG pagou uma enorme fatura económica no momento de menores ingressos da história recente. Isto é um fito que não pode ser desvalorizado. E é difícil, às vezes, empreender outros procesos quando falta o mais imediato —pagar os salários dos teus empregados e empregadas, a luz ou o aquecimento—. Isto não é a parte glamurosa ou intelectualmente interessante da política, mas também é necessária trazê-la à tona, porque também é política: o dinheiro.

E, seguindo o rasto do dinheiro, o de AGE, e mais tarde o de En Marea ou Galicia en Común, veu mormente de Esquerda Unida-Izquierda Unida, e isso também acabou determinando a política de alianças e a ordem dos postos nas candidaturas. Tampouco é glamuroso, mas também é política, ainda que o Sarille evite a vertente monetária nas suas análises.

Quanto à nova presença do BNG, em que incide o Sarille nesta série de artigos, coincide com a decomposição do mundo das marés, do mundo da esquerda mal dita rupturista. O BNG foi um barco com vento a favor, é inegável: beneficiou-se dos seus acertos e, quando não fôrom bastantes, também dos erros dos seus concorrentes. O resultado é o conhecido: Galicia en Común e En Marea, as duas marcas com que se apresentou aquilo que fora segunda força quatro anos antes, acabárom fora do Parlamento da Galiza neste 2020.

Parte 2

O Bloque é unha organización moi inestábel que nos períodos de contracción, frecuentes na súa historia, perde o sentido do real e tende a instalarse na enormidade. No inicio dos anos oitenta desapareceu da vida institucional autonómica retorcéndose en debates dogmáticos. […]

Nesta entrega, Xosé Manuel Sarille fala da instabilidade do BNG no seu percurso histórico. Não é, porém, uma circunstância exclusiva do BNG, mas algo que sofrem todos os partidos políticos quando não estão no poder… e o BNG, na maior parte da sua história, sempre formou parte da oposição. Mas também o PSdeG e, noutra dimensão, também Esquerda Unida/PCG também padecem estas tensões, luitas fratricidas e eventuais processos de decomposição/reorganização orgânica. A maneira em que se produzem é, contudo, diferente em cada projeto político, mas é também consequência lógica das diferentes culturas e tradições políticas de que bebem.

Com dizia antes, o BNG sobreviveu à caminhada no deserto repregando-se sobre os elementos fundamentais da sua ideologia, sobre os seus princípios.

Unha parte importante da actividade do Bloque dedicouse a recuperar o tempo perdido nestas demoras. Unha especie de conservadorismo invertido, reticente aos cambios […]

Explicava nos comentários à parte primeira que o BNG fizo da resistência um valor: uma apertura de portas, sem mais, traria como única consequência a inevitável desaparição do projeto, abafado pola triunfal fórmula —mais laxa e abrangente— da AGE/En Marea. Era uma tática arriscada, que suscitou muitas críticas —inclusive a minha— mas funcionou. Ora bem, o repregamento não foi absoluto, porque o BNG não é monolítico e, realizadas as oportunas autocríticas, deu resposta a alguns dos problemas anovando pessoas e procedimentos, como já comentei também.

Contudo, concordo com o Sarille em que este conservadorismo é um lastre para o BNG e para qualquer organização social. As novidades —tecnológicas, sociais, etc.— devem ser sempre acolhidas com cautela, sim, mas também valorizadas por equipas especializadas e capazes, sem apriorismos ideológicos, de maneira que se determine com rigor se estamos perante uma moda passageira, um elemento de interesse ou uma aposta de futuro.

[…] Unha reticencia de partida ante as novidades, que sempre desaqueloutran, especialmente as tecnolóxicas. Mesmo as incuestionabelmente positivas acéptanse con indiferenza inicial, ou co pouco entusiasmo de quen está vacinado contra os desenganos, ao tempo que idealiza e ama especialmente o pasado […].

Concordo também com o autor em que o recurso aos símbolos e nomes da Pátria é algo já obsoleto, esgotado. Os clássicos podem ser uma fonte de que beber, mas não podem ser uns apóstolos permanentes, porque os referentes de um projeto político devem estar no dia a dia, não soterrados. E isto serve para o nacionalismo galego, para o reintegracionismo linguístico ou para o ambientalismo.

[…] canto menos poder institucional, menor contacto coa realidade e maior loanza interna dos principios, maior apelación ao símbolo e ao seguro, ao que está fixado e que ao non moverse non xera incertezas. A referencia constante e abusiva aos apóstolos do galeguismo como se fosen mensaxeiros dunha revelación é o exemplo destacado […]

E, outra volta, faltamos à questão do dinheiro, tão importante, mas que o Sarille volta a passar por alto na sua reflexão, precisamente quando mais interessante estava a ser.

[…] Case ninguén se dedica a mirar para estes estraños artefactos que son os programas, pero indican por onde vai a cousa, son importantes. […] O Bloque apenas fai balanzos e non os exterioriza, pero o balanzo de xestión na súa historia apenas é brillante en tres ou catro concellos. A provisoriedade, a carencia de gabinetes de análise e de cadros técnicos quizás non sexa a consecuencia de non atopar, de que non hai máis cera que a que arde, senón a de non buscar conscientemente.

Há dous grandes aspetos em que costumam falhar as organizações sociais. Uma é a falta de importância que dão à comunicação, estando muitas vezes nas mãos de pessoas sem a formação adequada e aplicada sem que esteja por trás uma estratégia técnico-política, mas puramente política. A outra é a análise, porque sem uma análise rigorosa, baseada em dados, e com uma perspetiva multidisciplinar, é difícil dar respostas igualmente rigorosas, eficazes, válidas e mensuráveis. Ambas as duas, porém, precisam de uma cousa: dinheiro suficiente para contratar pessoal especializado, com formação técnica e umas condições laborais dignas. E uma organização política instalada na oposição não costuma ter os recursos necessários para preencher profissionalmente estas lacunas. O voluntarismo e a rede capilar emergem, aqui, como as alternativas para suprir tais eivas.

Parte 3

Nesta terceira entrega, Xosé Manuel Sarille continua a alertar da grave eiva que implica para uma organização social —neste caso, o BNG— não ter por trás uma análise rigorosa que acompanhe a sua ação política. Concordo plenamente neste alerta, porque isto se traduz num vício feio:

O BNG apenas elabora teoría propositiva que alimente a súa práctica política. A consecuencia é un abuso da retórica ampulosa e dos clixés doutrinarios durante decenios. E produciu erros fundamentais, que convén estudar e coñecer. […]

Entre os exemplos referidos polo Sarille estão o posicionamento do BNG respeito do combio de alta velocidade e do cupo económico para a Galiza. Não me vou deter aqui em dizer quem tem a razão, porque, partindo de critérios exclusivamente técnicos —e não políticos—, há opiniões para todos os gostos. Eu tenho a minha própria, mas como não é o objetivo, guardarei-na para uma outra ocasião.

Mesmo não considerando especialmente relevantes os exemplos do Sarille —por mais que o seu impacto seja de milhões de euros— em termos de debate político, considero que esta artigo é o mais interessante dos quatro que escreveu —por enquanto—, ao menos em termos de discurso político e no papel que devem jogar os referentes.

Parte 4

E chego, por fim, à quarta entrega, que é a que me levou inicialmente para escrever este enooooooorme tijolo.

É importante coñecer o peso das principais organizacións políticas galegas. O PPdeG é o primeiro partido e conta, grosso modo, con cen mil afiliados. Desde a esquerda adúcese que a cifra non vale porque unha grande parte non cotiza. Cómpre no entanto incluír esas persoas no haber organizativo, pois nun partido clientelista como o PP conforman un segmento importante de permeabilización, a medio camiño entre os simpatizantes que non teñen relación orgánica e os afiliados activos. […] O PSdG PSOE anda nos dez mil membros, goberna tres deputacións, cinco grandes concellos, proxéctase nos dous sindicatos estatais de clase, tamén no mundo empresarial e posúe o cómodo usufruto da actividade estatal do partido. […] Desculpen que non cuantifique o peso das Mareas, para non chorar coa risa nin gargallar cos choros. […] O BNG ten cinco ou seis mil afiliados, goberna un concello grande, é socio minoritario noutros e en tres deputacións. Domina varias estruturas e organismos, dos cales a CIG, cuns sesenta mil afiliados, un dos tres principais sindicatos de clase de Galicia, é o maior valor. […]

Os dados sobre a filiação ao PPdeG procedem unicamente do que o Partido pregoa, com essa cifra, «cem mil», que mais parece um slogan do Xabarín Club do que responder à realidade. O PPdeG leva muitos anos pressumindo de ter cem mil pessoas filiadas, mas os únicos dados oficiais são os do PP estatal, que não desagrega quantas pessoas filiadas tem no nosso país. Tendo em conta o escasso ativismo social na direita, duvido muito que um partido político tenha mais pessoas filiadas que uma organização sindical. Mas, filiadas ou não, é inegável que as pessoas vinculadas ao partido formam parte do seu acervo e são indispensáveis para garantir o sucesso deleitoral do partido.

Quando ao PSdeG, é impossível andar nos dez mil membros, ao menos ao dia de pagamento. Como no caso do PP, aqui entrarão distintas categorias de pessoas, mas militantes de quota mensal, não. Os dados oficiais do PSdeG, neste caso orçamentos de 2018 —últimos publicados no seu sítio web no momento de redigir estas linhas— recolhem uma previsão de ingressos de 49.000 euros em conceito de quotas. Tendo em conta que a quota média é de 6 euros, o PSdeG teria uns 680 militantes ao dia de pagamentos, catorze vezes menos do apontado polo Sarille.

Quanto ao BNG, nas últimas contas apresentadas —2019—, algo mais tangível do que um orçamento, os ingressos por quotas de filiados e filiadas ascendiam a 459.567,95 euros. Considerando a quota média ser também de seis euros mensais —menor para pessoas desempregadas, maior para quem quiger achegar mais—, o BNG teria, a dia de pagamento, aproximadamente 6400 filiados e filiadas, quase dez vezes mais que o PSdeG.

Em termos eleitorais, o PSdeG foi tradicionalmente a segunda força na Galiza nos diferentes âmbitos, com pequenas variações temporais ou segundo o processo. Mas, em termos militantes, é a terceira força (facta, non verba).

O BNG tem a responsabilidade de aproveitar o seu enorme capital humano. A um militante de quota pressupõe-se-lhe um compromisso maior que aquele que não a paga e fica como simpatizante ou simples prescritor —figuras também valiosas—. O militante está nas duras e nas maduras, e renunciará a um pequeno luxo por seguir pagando a quota —que muitas vezes é um sacrifício—, mesmo quota extraordinária, e fará-o porque acredita no projeto.

Ambas organizacións, PSOE e Bloque sitúanse a unha enorme distancia do Partido Popular, imbatíbel até agora. A súa hipotética derrota nunhas próximas eleccións autonómicas apenas esbozaría, no mellor dos casos, un lento declive do PP, pero non a perda da hexemonía e iso contando con que o novo goberno fose eficiente e conseguise un arroupe cidadán e social amplísimo, que tampouco é unha miudeza.

Aonde a economia não chega é necessário ativar a base militante, que é amplíssima, e com uma capilaridade de que carecêrom as marés, o que acabou provocando o seu —anunciado— fracasso.

Seis mil filiados e filiadas é um caladoiro grande. Mesmo que seja só por estatística, o BNG deveria fazer uma exaustiva radiografia para identificar aí valores técnicos, políticos, etc., com que nutrir o seu projeto. Isto é algo que —modestia à parte— organizações sociais como a AGAL soubérom fazer eficazmente, contactando com todas as novas pessoas associadas para conhecer o seu perfil e saber em que grau poderiam ou quereriam colaborar com o projeto. Atualmente, a AGAL envolve uma elevada percentagem das pessoas filiadas nalguma das suas áreas de trabalho. Se o BNG fosse capaz de envolver 5% —ao redor de 300 pessoas— nas áreas mais estratégicas, os resultados chegariam sós.

O Bloque é unha fronte política na que conviviron e conviven diversas organizacións políticas. A UPG foi sempre dominante. Posúe desde o final do franquismo o control da constelación nacionalista, retén a maioría dos resortes orgánicos do poder interno, concibe e articula a estratexia do Bloque, debuxa os seus límites tácticos, as posibilidades de pactar ou non pactar, o tipo de mobilizacións, as alianzas electorais e gobernamentais, consegue a preponderancia doutrinaria e acuña tamén a linguaxe política da marca […]. Agora domina practicamente en solitario, sen contrapesos. […]

Contrariamente ao Sarille, aqui não acredito que a dominância da UPG no projeto BNG seja um mal atávico. A UPG é o partido hegemónico do BNG e é o partido hegemónimo no nacionalismo galego, dentro ou fora de uma esfera partidária. Isto é uma realidade e ir contra a realidade é um absurdo. Alguns acreditárom, erroneamente, que a solução à hegemonia da UPG era sair do BNG… como se isso fosse produzir a desaparição de um partido com meio século de vida.

Mas, como dizia, o problema para essa teoria é que a UPG não só é hegemónica no BNG, mas no conjunto do nacionalismo galego. E o nacionalismo galego é um universo finito. Afinal, quando as alianças com forças estatais dérom o resultado esperado —uma subordinação que chegou a pontos inaceitáveis—, não restou outra que fazer o caminho à inversa… ou pegar na papeleta do BNG, mas tapando o nariz, porquanto isso suponha legitimar a UPG.

Desde logo, a UPG —e o BNG em geral— cometeria um erro de grandes proporções se figer uma análise errada de como se chegou ao momento atual. Como já indiquei nos comentários à parte primeira, o BNG beneficiou-se tanto dos seus inegáveis acertos como dos grandes erros dos seus concorrentes. Reconhecer um destes assertos deve implicar, também, dar o devido peso ao outro, não dar ouvidos xordos. Porque, do contrário…

[…] Os proxectos de expansión do Bloque tamén se conciben dentro da UPG, xorden case sempre nos momentos de máxima alarma, cando a marxinalidade da fronte política se fai inminente. É cando buscan aliados, transforman o discurso público, en moitos casos con audacia e para que a expansión se produza […]. E sempre remata mal. Despois dun ascenso xeralmente importante, a convivencia desemboca en enfrontamentos tremendos e rupturas consecuentes, que se cumpren como unha lei cíclica […].

Este vaticínio não tem porque se cumprir, por mais que o Sarille acredite num malditismo atávico que o faria inevitável. É evitável, e evitará-se sempre que o BNG continue o caminho encetado desde que Ana Pontón assumiu a Porta-vozia Nacional (fevereiro de 2016). Eis algumas receitas: permanente diálogo com a sociedade; os clássicos, como fonte da qual beber, mas nunca como pilotos ao comando da nave; reforçar a comunicação; reforçar as equipas de análise; discursos de vanguarda, não de resistência; envolvimento do tecido associativo próprio; reforçamento das assembleias —caminho encetado com sucesso antes da pandemia— e de toda a rede capilar. Em definitiva, jogar a ganhar, na feliz expressão que o Valentim Fagim levou para a AGAL —a outra grande entidade social em que milito— em 2009.

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