A Real Academia Galega (RAG) não é lugar para «estudiosos»

A Real Academia Galega (RAG) não é lugar para «estudiosos»

Deve uma academia condicionar os seus critérios aos «usos» escritos, mesmo sendo incorretos? Deve-os condicionar, também, a supostas facilidades para a aprendizagem? Estas duas perguntas pairam sobre a insólita resposta que a Real Academia Galega (RAG) deu a uma leitora deste blogue que me contatou por mensagem eletrónica.

Esta pessoa, que responde por P., enviara por sua vez uma mensagem à RAG com a seguinte consulta (que reproduzo literalmente):

Prezados señores, trasládolles a miña consulta.

Na reforma das NOMIG de 2003, substituíuse a forma “estudio” pola forma “estudo”. Nestes anos, talvez pola dualidade “estudo / estudio”, tiña o convencemento de que o adxectivo e substantivo derivados adoptaban a forma “estudioso”. Porén, hoxe mesmo comprobo que no dicionario en liña a única forma recollida é “estudoso”.

A miña consulta é referente a coñecer as razóns que apoian a forma “estudoso” fronte á forma anterior á reforma de 2003, “estudioso”, que por outra parte é a única forma recollida nos dicionarios portugueses e brasileiros que consultei.

Moitas grazas e reciban un cordial saúdo.

A resposta que dá o Seminário de Lexicografia da RAG é absolutamente incrível e, do ponto de vista linguístico, absolutamente desprezível.

O criterio que no seu día levou a RAG a darlle prioridade á forma “estudoso” sobre “estudioso” foi o de manter toda a familia de derivados unida: estudar-estudo-estudoso. Esta tendencia ao tratamento uniforme de toda a familia víñase observando nos usos escritos desde hai tempo: entre os que utilizaban “estudio” tendían a completar a serie con “estudiar” e “estudioso”. En cambio, entre os que utilizaban “estudo” o uso maioritario era “estudar” e “estudoso”.

Dado que a regularización da serie facilita a aprendizaxe, a RAG optou por recomendar un tratamento uniforme no radical das tres voces.

Esperamos que esta resposta lle axude a resolver a súa dúbida.

Noutras palavras, a Real Academia Galega inventa a inexistente forma «estudoso», fruto só de uma ultracorreção, para dessa maneira simplificar a família léxica. É o mesmo que se dessem carta de natureza a *sentenzar (sentenciar), paradessa maneira harmonizar com sentenza (sentença).

Se a «regularização» é agora um critério, também a RAG devera regularizar outras séries, como seita-sectario-sectarismo (seita, sectário, sectarismo), que se converteriam em *seita-seitario-seitarismo, ou estender-extenso-extensión (estender, extenso, extensão), que seriam *estender-estenso-estensión.

Apesar de que a resposta do Seminário de Lexicografia «não representa um ditame nem uma decisão formal da Real Academia Galega» (como se indica no pé da resposta à consulente), o dano já está feito.

Deve ser a primeira vez que a RAG suprime como válida uma forma galega que era comum à Lusofonia (estudioso); com tanta aproximaçom às teses reintegracionistas já começava a pensar que triunfávamos!

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