Algumas (úteis) palavras para melhorares o teu galego

Laranjas balorentas
Laranjas balorentas

No dia-a-dia usamos um bom número de palavras sem repararmos em que não são galegas ou abusamos de outras que sim o são, mas que já têm outros significados; ao mesmo tempo, galeguíssimas palavras vão colhendo pó numa gaveta, mesmo correndo risco de desaparição. O objeto deste (breve) artigo é apresentar umas (úteis) palavras que servirão para a melhora do nosso galego.

NOTA: Coloco entre aspas definições tiradas do e-Estraviz e junto também um guia de pronúncia nada científico (sem carateres esquisitos), pensado unicamente para a Galiza.

  • Anho. No supermercado, não peças carne de *cordero, pede anho ou cordeiro.
  • Apedrar. Dessas palavras que tenho pouca ocasião de utilizar, porque no meu ambiente sociolinguístico atual não há quem a conheça. É sinónima de estragar ou malgastar. Eu próprio colabrei para aprimorar a definição do termo no e-Estraviz, assim que dá um olho em apedrar (5) 😉
  • Arrocho [a’rôcho]. Ver coda.
  • Arrombar [arrum’bar]. «Arrumar, pôr em ordem as cousas». Com arrombar ou arrumar evitaremos o recurso abusivo a outros verbos, como colocar, ordenar… Devo ao meu sogro a introdução desta útil palavra no meu vocabulário.
  • Balor ou bolor. «Vegetação criptogâmica que se forma à superfície das matérias orgânicas em descomposição». Ou, dito mais simplesmente, a capa de cor verde-azul que aparece nas laranjas quando começam a podrecer, polo que é sinónimo de mofo (habitualmente escuitaremos dizer *moho, estou no certo?). Quando algo tem balor dizemos que está balorento.
  • Coda [‘kôda] ou côdea [‘kôdia]. «Parte externa endurecida do pão, queijo, árvores, etc». Um excelente recurso para desterrarmos o castelhanismo *corteza e, também, para não abusarmos da forma galega cortiça, usada mais comummente para as árvores.
  • Encetar. Começar alguma cousa (encetar uma campanha), provar alguma cousa (encetar uma sopa) ou «tirar o primeiro pedaço de uma cousa que estava inteira» (encetar um queijo).
  • Jata. Ver vitela.
  • Rocho [‘rócho]. «Oco numa parede ou pequeno quarto sem luz onde se guardam cousas». Uma palavra ótima para desterrardes o castelhanismo *trasteiro.
  • Ruim. É uma das palavras que logo perdim quando me desloquei para estudar a Compostela. Na minha casa era habitual dizermos cousas como «essas botas são rins» ou «o pão que comprámos ontem saiu bastante rim». Só em Compostela associei esse rim com ruim, que além de designar uma pessoa de má qualidade humana, é um termo universalmente utilizado na Lusofonia para se referir às cousas de baixa qualidade. Dessa maneira, com «uma campanha r(u)im», «um livro r(u)im» ou «um filme r(u)im» poderemos evitar o recurso ao castelhanismo *cutre, talvez facilmente instalado na nossa língua por semelhança à cotra (sujidade).
  • Tareco [ta’réko]. Termo polissémico que descobrim graças ao meu sogro, utilizado profusamente na comarca compostelana para se referir ao «utensílio de pouco ou nenhum valor». Servirá-nos para não abusar dos chismes, cousos e trebelhos.
  • Vitela [bi’téla]. No supermercado, não peças carne de *ternera, pede jata (ou jato, he-he-he), cucho ou vitela.

Ocorre-che alguma mais? Pois desinibe-te e utiliza os comentários à vontade!

  • Quando publicara originalmente o artigo, faltara-me definir rocho e havia algum pequeno erro. Obrigado polos avisos! 🙂

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