Breve (e demoledora) reflexão sobre a achega galega às eleições espanholas

Há duas grandes certezas da parte galega que correspondeu às recentíssimas eleições espanholas: das forças políticas representativas só o PP logrou resultados positivos (muito positivos, aliás) e uma grandíssima bolsa de população declinou o encontro com as urnas.

Vou, primeiro, com os dados, apresentando a variação de voto entre as eleições de 20 de dezembro de 2015 e 26 de junho de 2016:

  • PP: +34.204
  • PACMA: +3.093
  • PSOE: -4.967
  • Outras forças políticas (Comunistas de Galiza, UPyD, VOX, Recortes Cero…): -12.574
  • C’s: -14.914
  • BNG-NÓS: -25.961
  • En Marea: -66.555

Vou, a seguir, com a variação 2015-2016 dos votos em branco e nulos:

  • Nulos: -481
  • Em branco: -2.654

Em terceiro lugar, vou com a variação 2015-2016 do censo eleitoral e do número de votos emitidos:

  • Censo eleitoral: -12.498
  • Votantes: -81.642

Perguntas

  1. Donde aparecem os mais de trinta mil votos ganhos polo PP?
  2. Quais forças políticas fôrom as mais prejudicadas pola abstenção (oitenta e um mil votos menos)?
  3. Aonde foi o voto perdido polo BNG e En Marea?
  4. Qual o cenário para as eleições galegas?

Algumas possíveis respostas

  1. O PP ganhou 34.204 votos. A soma do voto perdido por PSOE, C’s e outras forças políticas soma 32.455, acrescentando o voto em branco chegaria a 35.109. Talvez uma interpretação a meio caminho e não aritmética nos dê a resposta certa. Se non è vero, è ben trovato.
  2. Se dermos por bom o ponto anterior, as forças mais prejudicadas pola abstenção seriam o BNG e En Marea. A perda acumulada de votos das duas forças chega a -92.516, mas a abstenção é ligeiramente infeiror, de -81.642, portanto a explicação é só parcialmente satisfatória.
  3. Não parece que houvesse um transvasamento maciço de voto do BNG para En Marea, mas um golpeio das duas forças pola abstenção, ao menos se olharmos do lado mais aritmético a possibilidade indicada no ponto segundo. Ora bem, se eu fiar na variação de voto das minhas amizades, atribuiria parte da perda de voto do BNG a uma fuga (cara a nenhures) para En Marea, ao tempo que En Marea não conseguiu com essas achegas compensar o voto perdido pola abstenção.
  4. O cenário para as eleições galegas não parece que seja muito diferente da fotografia que agora vemos, com uma altíssima parte do censo sem alicientes para votar. Um cenário em que duas forças políticas muito semelhantes (BNG e En Marea) se canibalizam, a esquerda em geral continua fragmentada e o PP parece dispor de suficiente músculo para aglutinar o voto útil da direita e do espanholismo.

 

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NOTAS:

  1. Fontes dos dados: 2016 e 2015.
  2. Embora não seja (ainda) uma força política representativa, coloquei o PACMA na listagem, já que logrou mais de 16.000 votos, uma cifra nada desprezível, situando-se já com quase 4.000 a candidatura que se colocou a seguir.
  3. Já sei que me vão chover paus, mas o BNG e En Marea (especialmente Anova, que conforma os principais quadros de En Marea) são forças muito similares e que defendem cousas muito similares. Nalguns assuntos que se podem considerar fulcrais há diferenças estratégicas, sim, mas que não transcendem fora dos quadros dirigentes e da militância mais comprometida: pouco afetam as pessoas potencialmente votantes de uma outra, o que noutrora se chamava votante sociológico do BNG e que agora não sabemos bem que etiqueta apor-lhe.
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