A Junta pretende premiar ilegalidades e converter o País num gruyère

galiza queijo gruyèreA Junta da Galiza, pretenso Governo, vai premiar a ilegalidade. Pode soar forte, mas é a única interpretação racional ao anúncio que aparece na imprensa: a Administração autonómica legalizará explorações mineiras que estavam situadas na ilegalidade. Só eu vejo paralelismos entre isto e a legalização de barbaridades urbanísticas?

Mas a Junta vai além disso, e facilitará ao máximo os trâmites para constituir novas explorações mineiras no país –deve ser que o de atuar em ilegal para depois legalizar, não é avondo rápido–, o que converterá, pouco a pouco, a verde Galiza num ermo queijo de gruyère.

O desprezo do Governo ao meio natural galego vem de velho. Provavelmente está no próprio ADN popular –baste lembrar o alcalde do PP que permitu que uma plantação ilegal de kiwis arrassasse um petróglifo porque, no fim de contas, os kiwis geram emprego e as pedras não…

Sob o argumento de que serão criadas umas poucas dúzias de empregos, a Junta nem se importa porque as explorações mineiras atuem em zonas protegidas. Como se vão importar por isso, se não se importam com a proteção do litoral –reduziram ao mínimo a proteção costeira, volvendo permitir construir quase ao pé do mar– ou com as instalações aquícolas em zonas especialmente protegidas.

Para a Junta, toda a Galiza é, quer um solar, quer pura matéria prima. Isso sim, a preço de saldos, como já se verá. A costa é concibida como um espaço de solaz para madrilenos e para produção intensiva de alimento, sempre em regime de incompatibilidade com os usos tradicionais que, em todo caso, serão secundários no caso de conflito de interesses. O solo rústico é apenas um solo urbanizável mal aproveitado. Os montes unicamente servem para produção elétrica, talar madeira ou instalar canteiras.

“Biodiversidade, roteiros, património imaterial… o que é isso”, devem pensar na Junta, uma entidade governada por pessoas que provavelmente acreditam que o estudos de impacto ambiental e os planos de recuperação posteriores ao fim das atividades industriais são impedimentos, entraves, para o progresso. E assim nos vai.

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