Patriotismo sim, mas a vaquinha, polo que vale

fernando alonso

Uma notícia publicada há pouco no Chuza suscitou este artigo. Tem a ver com as superestrelas dos desportos, o patriotismo e a evasão de impostos contabilidade criativa. A nova em questão, publicada originariamente por Insurgente, aludia a que Fernando Alonso, um dos ídolos desportivos espanhóis, paga impostos na Suíça.

Eu lembrava num outro artigo que os impostos são necessários, já que graças a eles é que temos serviços públicos fundamentais como hospitais, escolas, bombeiros… sem ter que recorrer ao setor privado. Precisamente, os mais furibundos opositores aos impostos são justamente quem se lucram explorando de forma privada esses serviços essenciais.

Pois eis que alguns grandes desportistas de elite espanhóis não pagam os seus impostos no território pátrio. Muito se lhes enche a boca com a palavra España. Muitos abraços e beijos à bandeira rojigualda, mesmo envolvendo-se literalmente nela. Mas tudo é puro teatro, pão e circo, divertimento para as massas.

Segundo o dicionário Estraviz, patriotismo é, na primeira aceção, «Amor grande à pátria». E, salvo dar a vida por ela, que mais grande gesto de amor pode haver do que ser solidário com os compatriotas («Pessoa que é do mesmo país da mesma pátria»)? Ajudando precisamente a pagar as escolas, os hospitais, as pensões, os bombeiros, ambulâncias, infra-estruturas de locomoção… é aí que se mede o valor de um patriota. No entanto, levar fora esse dinheiro —milhões, no caso dos desportistas de elite—, é de tudo menos pátrio.

Tal é, ou deveria ser, o escândalo, que o partido catalão ICV apresentara nas Cortes espanholas uma proposição não de lei para impedir a concorrência em eventos internacionais sob bandeira espanhola de aqueles desportistas a tributarem fora. Na altura, um conhecido diário desportivo espanhol publicava o ano passado uma brevíssima lista de estrelas a tributarem na Suíça: Fernando Alonso (Fórmula 1), Sergio García (golfe), Dani Pedrosa (motocilismo), Carlos Moyà (ténis) e Óscar Freire (ciclismo), e já antes houvera outros ídolos a fazerem o mesmo (como Arantxa Sánchez Vicário, tenista, paagou na Andorra). O que foi dessa proposta? Acabou chumbada, também com os votos contra de um partido que diz ser de esquerdas, como é o PSOE. Nihil novi sub sole.

  • Concordo ao cento por cento. Entre contabilidade criativa e “operaçons Galego” eu nom sei como é que hai gente que poda seguir a emocionar-se com “Roghas” e demais histórias.
    Por certo, umha pedantaria que espero me seja perdoada… a expressom latina com a que fechas o post deveria ser “nihil novi sub sole”. O dito, umha pedantaria… 🙁

    • Ei! Se o diz um dos meus filólogos de referência, eu obedeço 😀 Agora mesmo mudo a frase. Vê-se que, dez anos depois, o meu latim de 2º de bacharelato está oxidado 😛 Nihil obstat! 😀

      • E agora que me dou conta, pugem Operaçom Galego em vez de Operaçom Galgo… ai estamos-che bem… :-p

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