A norma culta ILG-RAG: enxebrismo, espanholismo, antilusismo, pailanismo

Vista a aceitação do meu último post sobre o diferencialismo absurdo do binómio ILG-RAG à hora de codificar o galego, vou fazer um novo exercício de memória histórica filológica. Quais foram os verdadeiros critérios que motivaram a norma isolacionista do galego?

Manual 'Galego 3' (ILG, 1976)
Manual ‘Galego 3’ (ILG, 1976)

Esquencen os lusistas a realidade histórica do galego (sempre preto do castelán, nunca en contacto co portugués) e a realidade actual. Se en Galicia non tivésemos mais ca unha lingua, o galego, entón podiamos impoñer calquera grafía, pois os nenos galgos non terían outra que lles presentase conflicto lingüístico. Pero os nenos galegos teñen que aprender galego e castelán. / [Publicado em 1980 em publicação não periódica]

Recientemente se ha elaborado el sistema ortográfico de forma muy poco satisfactoria y que da pie a antojos cuyo éxito no compensa en absoluto las dificultades e inconsecuencias que crea. […] Ponerle [ao leitor] en necesidad de aprender y dominar dos sistemas [as normas cultas do galego e do castelhano] con notorias y frecuentes diferencias entre sí es antieconómico y, a efectos escolares, puede ser perjudicial […] es posible que tengamos que deducir para el gallego un sistema ortográfico prácticamente igual al del castellano. / [Publicado em 1980 numa colaboração jornalística]

[A norma ILG-RAG] tiene quizá la ventaja de ser el más partecido al [castelhano] que se enseña en la escuela y no obliga al niño, por un prurito diferencialista, a usar un sistema para el gallego y otro para el castellano. / [1982, declarações à imprensa]

[…] desde hai 600 anos pra a có tanto a lingua portuguesa popular, coma a galega, tiveron a súa propia deriva, diverxentes en moitos casos. […] non convén esquencer que en Galicia síntese desde hai moito a influencia do adstrato castleán, que ven operando como lingua de cultura na nosa tera. Esto provocóu que o galego popular se fixera impermeable a certas innovacións irreversibles que contribuiron aínda máis á diverxencia entre as polas galega e portuguesa.

Pra sermos, xa que logo, consecuentes co noso principio de non xebrar escesivamente o galego culto do popular […] témonos que pronunciar contra a portuguesización do galego. […]

Non quixéramos, por outra banda, que o noso antilusismo lingüístico fora interpretado como antilusismo integral. […]

Non se pode facer unha clasificación sistemática dos lusismos porque os escritores galegos, en xeral, conocen bastante mal o portugués […] podemos considerar como mostra de lusismos […] estudar, estudante, […] nervoso (algúns deles vivos en dialectos galegos); […] o sufixo -bel ou -vel no canto de -ble (amável) […]; lésicos: achar «atopar», ar «aire», […] xanela «ventana», […] garavata «corbata», até «hastra» […]. / Manual de língua Galego 3, elaborado polo ILG em 1974.

A lista das vergonhas poderia incrementar-se com muitas outras citações, mas não pretendo fazer um artigo maçador, tijolesco e extenso de mais 😉

Algumas CONCLUSÕES:

  1. Para os pais da actual norma isolacionista (lembremos: a actual vem directamente destes princípios) o mais importante à hora de dotar o galego de uma norma culta foi procurar que não se diferenciasse da norma do castelhano, circunstância que explicitam.
  2. Os inúmeros castelhanismos no galego de ontem e hoje aceitam-se como «inovações» originadas polo contacto com o castelhano. Portanto, dão-nos como formas plenamente galegas… será por isso que dão carta de galeguidade a ventana, hastra ou corbata?
  3. O galego culto tem de corresponder-se com o galego popular, obviando que isso é algo que não acontece em nenhuma língua de verdade, e ignorando que o galego passou na Galiza por vários séculos carente de uma norma culta (suplindo o castelhano, como indicam, essa função).
  4. Na lista de lusismos vemos formas que hoje se aceitam como galegas. Quando adquiriram carta de galeguidade essas palavras? Estava num erro o ILG daquela ao considerá-las lusismos, ou erra hoje ao considerá-las galegas? E as palavras que antano davam como galegas, são ainda hoje galegas e são reconhecidas já como palavras castelhanas? E se daquela estavam num erro, quem nos garante que não estejam também hoje em erro com outras cousas?

Em resumo, podemos concluir, como diria Alema, que isto é um autêntico ESCÂNDALO.

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NOTA: agradecimentos a António Gil, de cuja conferência de 1984 no I Congresso Internacional da Língua Galego-Portuguesa na Galiza tirei as citações empregues neste artigo.

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