Fechado por Censura

1 de Junho de 2009. Lembrem esta data, pois foi o derradeiro Aberto por Reformas.

— Ah, mas o programa não continua?

Prezado amigo, prezada amiga, se uma vaca tem cara de ovelha, patas de ovelha, rabo de ovelha… provavelmente seja uma ovelha, mesmo que a sigamos a chamar «vaca». Nas ondas continua a haver, desde ontem, um programa chamado Aberto por Reformas. Mas nem é um espaço aberto, nem continuam as reformas (mais bem voltam atrás), nem apresenta Xurxo Souto, nem é dinâmico e divertido, nem trata já música galega. Dá-me no corpo que não é Aberto por Reformas, mesmo que se chame igual.

Há quase dous anos e meio, o polifacético artista Tonhito de Poi respondia isto numa entrevista:

– O que destacas do momento actual da música galega?
Desde a época do ‘Xabarín’, quando começaram a sair bandas… não tive uma sensação de uma cousa tão frutífera. A música está unindo as bandas e misturando-se entre elas para medrar como pessoas e como músicos, as fronteiras estão rotas, a música não tem espaço físico, por isso é de todos. Ademais, na música ninguém quita o sítio a ninguém, quanto melhor lhes for aos outros, maiores posibilidades temos todos de chegar, e todo isso ja se está integrando em nós.

– Concordo plenamente (risos).
Mas sabes o que se passa aí? Que havia um suporte (a TVG) que apoiava, e então saías e visivilizava-se o que havia. Porém, isso tapou-se e agora volve haver suporte, sobretudo na rádio… programas como o de Xurxo Souto [«Aberto por Reformas»] estão fazendo muitíssimo, porque isso, para as bandas, saír na radio cria concertos. As bandas não podem estar toda a sua vida nos garagens e nos galinheiros, porque afinal morrem.

Xurxo Souto
Xurxo Souto

Na mesma linha, tamém se pronuncia o Movimento polos Direitos Civis através de uma nota em que lembram que o Aberto por Reformas foi uma das fórmulas que melhores resultados deu à radio pública nos últimos anos. Através deste espaço, e como bem assilava Tonhito de Poi em 2007,  numerosos grupos encontraram uma plataforma para se publicitarem, algo do que este país careceu desde o fim da época gloriosa do Xabarín Club a meados da década de ’90 do século passado.

A primeira emissão sem Souto, a cargo de Xusto López Carril, tivo como representações galegas a sintonia do programa (com a vital Ugia Pedreira), comentários da maravilhosa Uxía Senlle… e pouco mais. O facto de que a primeira canção emitida fosse de Bruce Springsteen foi toda uma declaração de intenções sobre os ‘novos’ tempos: acabaram as reformas, volta estar a casa cheia de cascalhos.

Igual que o MpDC, não queria finalizar esta lembrança sem salientar que Xurxo Manuel Souto Eiroa, além de subdirector de programas da radio pública do país nos últimos tres anos e meio, foi também peça-chave na gestação  do sucedido (e impresindível) concurso A polo Ghit, que em parceria com Vieiros botou os últimos três anos a procurar uma canção galega do Verão,  uma ‘escusa’ que realmente serviu de promoção de muitos pequenos e novos grupos, complementando o labor do Aberto por Reformas.

Acabariam as reformas na Rádio, voltarão a censura, a mentira e a manipulação. Mas ao menos o país terá a boa notícia da recuperação de Xurxo ao 200% para a faceta artística. E, como sempre, FALOU XURXO, FALOU BEM.

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  • Sorprendeume ver que o programa se convertera nalgo parecido a “Deriva atlántica” pero claramente peor. Nada galego, nadiña. Podían cambiarlle o nome…

  • Considero xusto e necesario, incluso preciso, un cambio de nome do programa. Están atracando a alma de moitos seareiros.

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