Apologia da ignorância

Suponho que vós já tereis conhecimento da polémica aberta polo PP (esta não existia antes) sobre o uso do galego para o acesso à função pública galega. Em concreto, o partido da direita espanholista pretende modificar o artigo 35 do texto refundido Lei da Função Pública Galega (reproduzido no pé deste artigo), que deixa bem claro que ao menos uma das provas de acesso deverá realizar-se exclusivamente em galego (oficialista, obviamente).

De acordo com o PP só está o sindicato espanholista de direitas especializado em funcionários CSI-CSIF, que igual que os pepeiros avoga polo direito à ignorância. Isto é, que qualquer pessoa desconhecedora da língua galega possa igualmente examinar-se para, uma vez exercendo na sua vaga, demonstrar que sim conhece a nossa língua.

Mas, pergunto-me eu: e se como em tantos outros casos a funcionária ou funcionário da Administração galega, já com vaga consolidada, se nega a aprender o nosso idioma? O que aconteceria? Seguramente, NADA. Por isso é que cumpre demonstrar antes que se conhece o galego, como também o castelhano ou quaisquer outras línguas cujo domínio se exige para o desempenho do posto de trabalho.

Do mesmo jeito, eu nunca poderia apresentar-me a uma vaga para cirurgião sem antes demonstrar conhecimentos sobre esta especialidade médica: a ninguém se lhe ocorreria que os tivesse de evidenciar depois, já com um posto de trabalho consolidado. Igualmente, se um dos requisitos fosse ter carné de condução, deverei apresentá-lo e, eventualmente, fazer uma prova de condução para demonstrar que já o tenho.

Como já têm dito os sindicatos CCOO, CIG e UGT, se uma pessoa possui esses conhecimentos, esse domínio linguístico, não deveria ter qualquer problema em fazer ao menos uma das provas em galego. Precisamente, a rejeição evidencia que talvez essas competências linguísticas são fracas ou não existem, como por desgraça comprovamos habitualmente. Eu ainda vou mais além, e exigiria que a prova de galego seja eliminatória, ou seja, que para poder aceder à função pública galega seja imprescindível ter superado a prova de galego. Só assim se evitará que saiamos perdendo as pessoas que pedimos ser atendidas na nossa língua pola administração do nosso país.

Artigo 35 [da LFPG]

Para lle dar cumprimento á normalización do idioma galego na Administración pública de Galicia e para garantir o dereito das administradas e dos administrados ao uso da lingua propia de Galicia nas relacións coa Administración pública no ámbito da comunidade autónoma, e en cumprimento da obriga de promover o uso normal do galego por parte dos poderes públicos de Galicia que determina o artigo 6.3º da Lei de normalización lingüística, nas probas selectivas que se realicen para o acceso ás prazas da Administración da Comunidade Autónoma de Galicia, e nas entidades locais de Galicia, terase que demostrar o coñecemento da lingua galega.

Para estes efectos, as bases das convocatorias establecerán que unha ou máis das probas do proceso selectivo se deberán realizar exclusivamente en lingua galega, e iso sen prexuízo doutras probas adicionais, que se puidesen prever, para aqueles postos de traballo que requiran un especial coñecemento da lingua galega.

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