O PP não respeita a toponímia galega

A finais de Outubro, o deputado espanholista Ignacio López-Chaves protagonizou um dos acontecimentos mais vergonhantes na história recente da Câmara nacional ao se auto-expulsar de uma Comissão.

Como lembrareis, o motivo foi que, supostamente, o presidente da dita Comissão, Bieito Lobeira, utilizava na oralidade o nome galego do nosso país, Galiza, mesmo apesar de esse não ser legal (ainda que reconhecido como igualmente válido ao galego-castelhano Galicia).

Segundo López-Chaves, ele não podia tolerar tal cousa porque, ao seu ver, não existe qualquer Parlamento da Galiza, mas de Galicia. Após a sua (auto-)expulsão, o resto de deputados pepeiros não tardaram em clamar polo tratamento injusto dispensado a alguém que, supostamente, apenas se preocupava por defender a legalidade.

Resulta realmente curioso que este argumento o utilizem pessoas que nem muito menos se têm destacado por defenderem a legalidade, mesmo quando constantemente é vulnerada por pessoas do seu mesmo partido. Lembremos, por exemplo, o triste espectáculo dos pepeiros corunheses abstendo-se nas votações na Câmara municipal da Corunha no dia em que Paco Vázquez (PSOE) intentou aprovar a oficialidade do topónimo castelhano La Coruña em pé de igualdade ao vigente A Coruña. Se procuravam garantir a legalidade, não deveriam votar na contra? Ainda, além de não votarem, acudiram com umas camisolas nas quais se reivindicava o nome deturpado.

RiveiraEstá também o caso do regedor municipal de Ribeira, José Luis Torres Colomer, ex presidente da Deputação Provincial da Corunha, que teima em denominar a formosa vila barbançana como Riveira, um nome que só existe na sua imaginação e em documentos da Era Moderna ou do século XIX, produto da confusão com o equivalente castelhano Rivera (que este sim é com V). Do latino Riparia, Ribeira. Não há espaço para as dúvidas, salvo que o que se pretenda seja, como se tem dito noutros lugares, convertir Ribeira na Riviera galega.

 

Quando pensei neste modesto textículo, pensei deixá-lo assim como leis, mas lendo o El Progreso do sábado passado, subiu-me ainda mais a carragem e não pude evitar estender-me. Nele li a fotografia que veis ao pé, de  uma manifestação convocada polo grupo pepeiro do Concelho de Castro do Rei. Mais uma vez figura o topónimo vergonhento Castro “Riberas” de Lea.

 

E agora terão de desculpar que o artigo fique assim sem uma conclusão que feche o fio, mas é que estes defensores da legalidade deixaram-me com um escaralhamento geral do qual ainda estou convalescente 😉

Castro Riberas de Lea - El Progreso

  • Máis preocupante paréceme que cando se vai pola A-8 á altura de Reinante apareza un enorme cartel que di “Playa de As Catedrais” e mais adiante, en todos os indicadores do entorno, un correctísimo galego “praia As Catedráis” (praia das Catedrais). Se teño un momentiño envíolle a foto.

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