A história fazemo-la nós

011208_o_apalpadorPesquisando no PGL algum artigo de opinião interessante que não tivesse lido já (polo que fosse), topei este do Valentim Fagim.

Reconheço-me um seareiro do Valentim como pessoa e como galego. Também sinto autêntica devoção pola sua coluna Língua Nacional, publicada todos os meses no Novas da Galiza e depois no PGL.

Pois bem, polos vistos parece que me quedou sem ler uma coluna sua muito interessante (o qual, aplicado ao Valentim, mais bem é um pleonasmo) intitulada La Voz dos que já têm voz, cuja leitura recomendo desde já.

Ainda que o artigo está focado para um caso muito concreto, trata-se de uma perfeita parábola, polo qual é extrapolável a muitos outros contextos. Fico, em particular, com a frase final, a história fazemo-la nós, que tão bem resume o jeito de agir dos movimentos sociais galegos do século XXI, em particular do reintegracionismo.

No seu texto de opinião, o Valentim conta-nos de vários casos nos quais surgiu alguma iniciativa da sociedade civil, um partido no poder adoptou-a e defendeu-a, o jornal La Voz de Galicia criticou-a e afinal a iniciativa acabou sendo chumbada.

A diferença entre as iniciativas institucionais/institucionalizadas e as que partem e se executam directamente da sociedade civil é que as segundas não estão sujeitas ao controlo dos chamados poderes fácticos, isto é, aos grupos de pressão quer empresariais-políticos, quer empresariais-mediáticos, quer político-mediáticos, etc.

Iniciativas como a de promover uma mudança reintegracionista da normativa oficial do galego necessariamente acabariam por ser chumbadas de a sua execução dependesse apenas do poder político. Porém, o movimento reintegracionista decidiu há máis de 25 abandonar essa luita e praticar o “temos uma ideia, pomo-la na prática”. Isto é, desistiu-se de pedir/exigir mudanças à RAG ou a quem for e decidiu aplicar uma normativa directamente reintegracionista (isto, nas origens). A dinâmica do agir é o que, sobretudo no século XXI, acabou por dar mais aços ao reintegracionismo organizado.

Algo similar acontece com os centros sociais, cuja eclosão foi também contra a fim do século XX e começo do XXI: fartos de esperar por ajudas institucionais que nunca chegavam (ou faziam-no tarde), fartos de esperar apoios de duvidosa fiabilidade, importaram-se experiências sucedidas de auto-gestão. Isto matou o bicho dos grupos de pressão e permitiu que todo o país galego fosse um fervedoiro no qual quase cada ano nasciam centros sociais, até termos perto de duas dúzias deles. Mais uma vez, foi a política do “temos uma ideia, pomo-la na prática”.

Uma das últimas iniciativas que começa a ter sucesso é a recuperação de uma figura tradicional na época estival dos povos do Mar Cantábrico peninsular, da Galiza ao País Basco passando polas Astúrias e Leão ou a região espanhola de Cantábria.

Esta figura tem uma série de traços comuns a todos os povos, mas conta com diversos nomes, mesmo dentro de cada um destes países, como nos casos galego ou asturiano. Na Galiza a recuperação com melhor sucesso foi sob o nome de Apalpador (ainda que se comprovou a existência de outros como o Pandigueiro). Porém, não tardaram em vir os ultra-espanholistas acusarem a iniciativa de nacionalista (como eles não são nacionalistas… :D), de radical (?) e várias cousas mais sem qualquer sentido. Porém, mais uma vez, a história fazemo-la nós, polo qual já podem enviar quantos carros de combate mediático quiserem, dizer parvoíces e barbaridades, que não terão maior efeito em nós do que uma risada cada vez mais grande quanto maior for o ataque. Ladrai, ladrai 🙂

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