Zona livre de transgénicos

galiza_sem_transgenicosDesde há tempo, a oposição aos organismos geneticamente modificados (OGM’s) vem-se estendendo por todo o mundo… e também pola Galiza (que, curiosamente, forma parte do mundo). Utilizam-se muitos argumentos para opor-se aos cultivos transgénicos, dos científicos aos ambientais, passando polos sanitários, económicos e um longo et cétera.

Desde o dia 29 de Fevereiro deste ano, a oposição aos transgénicos na Galiza articula-se ao redor da Plataforma Galega Antitransgénicos, impulsionada por diversos colectivos e organizações de todo tipo (no menu lateral do web indica-se a listagem ao completo).

 Nos últimos dias, na imprensa volve falar-se com intensidade da pretensão das multinacionais biotecnológicas Monsanto (uma das dez maiores empresas químicas dos EUA) e Painer por cultivarem OGM’s no nosso país, em particular para as variedades de milho modificado MON-810 e NK-603.

Por parte da Administração galega não há consenso sobre a atitude a adoptar perante tais ensaios, e assim vemos que a Conselharia do Meio Rural (BNG) não apoia os transgénicos, enquanto a do Medio Ambiente (PSOE) sim o faz. Em qualquer caso, a decisão final compete ao Ministério espanhol do ramo, que através da sua responsável, Elena Espinosa, deu o visto e praz em várias ocasiões.

Polo comum acusa-se os OGM’s de serem causantes de enfermidades hepáticas, cancros e outras doenças em ensaios com roedores. Como infelizmente costuma sucedor, sempre há informes para todos os gostos e a polémica parece estar servida para um longo tempo, igual que com as antenas de telefonia.

Do que há menos dúvidas é sobre o impacto dos OGM’s sobre o meio natural, contribuindo a empobrecer a diversidade, pois ficou comprovado como estes organismos já contaminam plantações tradicionais, fazendo com que cada vez seja mais difícil atopar cepas puras de diferentes espécies, mesmo em lugares do mais remoto, devido a que o pólen, resíduos e toxinas liberados por alguns destes organismos (modificados com genes procedentes de bactérias), transmitem-se polo ar, filtram-se nos aqüíferos… impossibilitando seguir-lhes o rasto.

Solução à fame?

Os aparentes benefícios dos OGM’s resumem-se em dous: menores custos e maior rendimento. A teoria dos OGM’s que defendem multinacionais como Monsanto vem a dizer que com um investimento inicial superior (algumas sementes modificadas podem custar até quatro vezes mais do que as tradicionais) loga-se um rendimento maior ao se tratar quer de espécies mais resistentes (o qual implicaria menos gasto em fertilizantes ou produtos fitossanitários), quer de organismos de crescimento mais rápido ou de espécies com maior produção.

Porém, a realidade não evidencia nada disso, chegando nalguns casos a ser justamente o contrário. Na Índia, por exemplo, o algodão BT (modificado) parece ser que vem de série com um problema que o faz mais vulnerável a uma praga que não afecta praticamente o algodão normal. Ainda, ao polinizar plantas de algodão comum, também estas se viram afectadas. O resultado? Milhares de famílias na ruína e mais de 600 suicídios anuais directamente vinculados.

Monopólio e direitos de propriedade intelectual

O pior não é só que não se possa evitar a polinização cruzada entre variantes OGM’s e tradicionais, mas que as empresas produtoras de transgénicos estão a mercar as principais distribuidoras mundiais de sementes (no último ano, mais de 50), de tal jeito que em muitos mercados (sobretudo no Terceiro Mundo) é praticamente impossível atopar sementes normais.

Isto é uma estratégia perfeitamente calculada, já que ao não se localizarem sementes tradicionais, os produtores vêm-se na obriga de mercarem OGM’s para poderem cultivar. E as sementes de transgénicos, contrariamente a outras, vêm sujeiras a direitos de propriedade intelectual, polo que mercê um contrato o produtor compromete-se a não gardar sementes de um ano para cultivar no seguinte, devendo novamente mercar mais sementes procedentes de OGM’s. O suposto incumprimento destes contratos tem levado já numerosas famílias à quebra já só nos EUA… imaginai o panorama que se abre para o resto do mundo.

Zonas livres de transgénicos

No nosso país, como dizia, a oposição aos transgénicos há mui pouco que se começou a organizar, mas o seu labor informativo já deu alguns resultados com declarações de vários Concelhos de que os seus municípios são zonas livres de transgénicos. Na altura só assumiram este compromisso (que não tem efeitos para lá do simbólico) as Câmaras de Lalim, Silheda, Irijo, Chantada, Vale do Duvra, Ames, Negreira, Rio Torto e Verim.

  • oko

    eu pouco sei do tema, aínda que me interesa bastante, pero canto máis leo máis claro me queda a quen perxudican os OXM, xa non no tema da saúde (que as consecuencias son terribles), senón tamén economicamente: ningún pequeno agricultor, aquí e máis aínda nun país do sur, pode facer frente á enorme inversión que supón o uso desas sementes, e as explotacións pequenas non merecen a atención de ningunha grande empresa. por outra banda, coa produción de OXM esténdese o monocultivo, e esgótanse parte dos nutrientes da terra que teñen que ser repostos de xeito artificial para poder continuar coa explotación, porque o de rotar os cultivos non é algo que habitualmente se plantee ninguén.
    e tamén hai que pensar que o monocultivo pon en perigo a agricultura de subsistencia, porque se produce para exportar, e tamén porque un descenso do consumo de certos produtos nos países do norte pode levar á creba a moitos, moitísimos labregos do sur que apostaron todo a un só producto, e que se atopan, cada vez máis, cunha terra máis pobre e máis deteriorada
    en fin, triste mundo…

    • Pois é, Oko, pois é… Realmente os OGM’s, do ponto de vista económico, só beneficiam as relações Norte-Sul, nunca as Sul-Norte. Traduzem-se, pois, em novas relações de dependência desde o momento em que atentam contra a soberania alimentar… E o pior é que isto não se produz por simples vontade dos labregos (como dizem falazmente muitas multinacionais), pois no momento em que as sementes disponíveis do mercado são só de OGM’s já não há possibilidade de escolha.

      No mal chamado “primeiro mundo” ainda há possibilidades de escolher, mas no resto do planeta, onde as distribuidoras de semente foram mercadas polas multinacionais que apostam nos OGM’s… aí temos um beco sem saída.

      O Sindicato Labrego Galego (integrante e co-fundador da Plataforma Galega Antitransgénicos) leva anos a informar os labregos e labregas da Galiza sobre esse perigo, centrando-se ante tudo na soberania alimentar, que deveria ser algo irrenunciável. E as autoridades incompetentes, as mesmas que permitem os cultivos de OGM’s sem controlo (porque é impossível controlar as plantações de OGM’s e impedir a polinização cruzada) deveriam aplicar as leis anti-monopólio para garantir a oferta de sementes tradicionais em pé de igualdade que as transgénicas.

  • Daquela estamos mutuamente fichados 😉

  • Socram

    Ola, fago un blog con novas de transxénicos dende fai un tempo. Aproveito que ti falas do tema para mandar un saudo e facer un pouco de autobombo: //sementepodre.blogaliza.org

    E que non me visita nin Deus… 😀

    Por certo, creo que é este mércores 26 de Novembro cando o parlamento galego se vai pronunciar sobre o tema. Veremos que acontece.

    Unha aperta

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