A Real Academia Galega a exame: uma entidade inútil?

inútil adj. (1) Nom útil. (2) Desnecessário. (3) Baldado, estéril, vão [lat. inutile].

Dicionário Electrónico e-Estraviz

inútil

do Lat. inutile

adj. 2 gén.,
não útil, improfícuo;
desnecessário;
escusado;
sem préstimo;
frustrado, baldado;
incapaz, inábil.

Dicionário da Priberam

Julguei necessário, antes de mais, deixar bem indicadinho o que é inútil, não seja que depois haja equívocos 😀

Começa aqui o exame à RAG a partir da valorização do grau de cumprimento dos objectivos desta Academia centenária.

  • Establecer as normas referidas ao uso correcto da lingua galega, conforme o disposto na Lei 3/1983, de 15 de xuño, de Normalización Lingüística, do Parlamento de Galicia, nomeadamente:
    • A elaboración da norma gramatical, ortográfica e fónica.
    • O inventario do léxico e a proposta dun dicionario de uso.
    • A modernización e actualización do léxico.

A lei tem já 25 anos de vida. Neste tempo a RAG incapaz de elaborar uma norma estável (sofreu ao menos duas revisões de relevância, em particular no apartado morfológico) e foi incapaz de depurar todos os castelhanismos presentes na norma.

No que atinge directamente aos objectivos, neste quarto de século tampouco foi capaz de elaborar uma ortofonia (regra fónica), como tampouco qualquer inventário léxico (tarefa que sim realizaram outras organizações e/ou instituições) nem foi quem de modernizar e actualizar o léxico do galego reducionista (pensemos ainda em que o primeiro vocabulário para a televisão nasceu há poucos anos, e o primeiro para a justiça há uns meses… nenhum deles elaborado pola RAG).

  • Estudar e propor a restauración da onomástica galega.

Esta tarefa tampouco a realizou a RAG como instituição, mas de jeito individual gente posteriormente integrada na RAG e pessoas pertencentes a outros âmbitos.

  • Velar polos dereitos do idioma galego.

Como pensa da RAG velar pos direitos do idioma galego se sempre guarda um silêncio sepulcral quando há alguma vulneração de direitos? Ou é que a RAG já se dá por conforme quando existem uma série de leis (que não se cumprem) e dá as costas sistematicamente aos falantes que se vem impedidos de usar a língua galega? Por outra parte, organizações sem mandato estatutário como A Mesa parecem trabalhar com maior vontade do que a RAG neste âmbito, algo reconhecido polo póprio presidente da RAG… mas o objectivo segue estando aí (sem cumprir).

  • Defender e promover o idioma galego.

Ligado com o anterior, quando realizou a RAG alguma defesa e promoção efectivas do idioma galego? Fora de dizer nalgum acto público que é necessário defender o idioma, não se lhe conhecem à RAG iniciativas concretas para estender estes usos do galego nos âmbitos nos quais não avança. Ainda, mesmo dentro da sua inutilidade também parece fazer algo mais do que a RAG o próprio Governo galego através do departamento encarregado das Políticas Linguísticas (actualmente é uma Secretaria Geral), como também organizações cidadãs (a já mencionada Mesa, o MDL, associações como a Gentalha do Pichel, Artábria…).

  • Asesorar os poderes públicos e institucións sobre temas relacionados co uso correcto da lingua e coa súa promoción social.

À vista dos péssimos usos dos poderes públicos e instituções (tanto do Governo galego como do espanhol), parece que também este objectivo segue a ser um completo fracasso.

  • Estudar e dar a coñecer o patrimonio literario e documental da institución.

Este objectivo sim parece ir-se cumprindo, ainda que a instituição não se caracteriza pola transparência, e esse património literário e documental imo-lo conhecendo muito devagar.

  • Decidir a personalidade literaria á que cada ano se lle dedica o Día das Letras Galegas.

Este objectivo também se cumpre, pois cada ano há uma pessoal à qual lhe é dedicado o Dia das Letras. Questão diferente é a referente aos critérios, pois tampouco hoje se conhecem os critérios polos quais tal ou qual pessoa recebe a homenagem. Mesmo se deu já o caso de receberem o prémio pessoas que praticamente não tinham produção escrita na nossa língua (como Manuel Murguia), primando-se aspectos extra-literários para o dito reconhecimento, o qual é, como pouco, uma fraude. Devido ao carácter simbólico da efeméride, e à implicação dos poderes públicos com esta data (que é festivo nacional), um mínimo exigível seria que se conhecessem os critérios que levam às escolhas.

Em resumo, parece-se comprovar que em tudo quando requer de implicação e de beligerância, de capacidade de pressão e de iniciativa, a RAG fracassa de jeito estrepitoso. Comprova-se nesta instituição um incumprimento rotundo da maior parte dos seus objectivos, em concreto cinco dos sete objectivos (o 71,43%) não se cumprem nem de longe, e no cumprimento dos dous restantes a sua execução adoece de falta de transparência e de motivar-se em critérios pouco claros.

Por outra parte, gostaria de chamar a atenção sobre a enorme indefinição nos objectivos da RAG. Não passam de propostas do mais genérico, e em nenhum outro sítio se acompanham do seu desenvolvimento prático. Contrariamente a outras organizações ou instituições, tampouco se lhe conhecem à RAG as suas propostas anuais (com apontamentos para a sua aplicação), nem tampouco um resumo anual de êxitos. Isto resulta muito preocupante tendo em conta os cometidos estatutários da RAG e que esta se financia com dinheiro público (e também com privado), e que actividades como o Dia das Letras são também festa nacional.

Por último, se a RAG é incapaz de cumprir com os cometidos estatutários, talvez vai sendo hora de que uma outra organização ou instituição assuma os ditos cometidos. Vinte e cinco anos de fracasso e de dinheiro mal-gastado bem poderiam servir como aval…

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