Um outro galego (isolacionista) é possível

O galego (im)possível - Valentim Fagim
O galego (im)possível – Valentim Fagim

Muitas vezes acho que me repito muito (mais do que uma comida indigesta), mas é superior a mim. Neste caso, uma das minhas mais reiterativas teimas é que uma normativa, toda normativa, é em parte arbitrária e em parte produto de uns usos históricos, mas sempre perseguindo o fim de servir ao maior número possível de falantes o maior tempo possível. É, reitero, teima minha.

Mas o caso é que, com esta premissa, resulta-me incompreensível a teima isolacionista de promover uma norma que só cumpre o critério da arbitrariedade, pois passa olimpicamente de usos históricos internacionalmente consolidados, não serve ao maior número possível de falantes e, por último, tampouco cumpre o do tempo (entre outros motivos, porque muda a cada pouco). Contudo, acho que com algo de sentidinho um outro galego (isolacionista) teria sido possível.

Num arrebato de generosidade, mesmo poderia conceder ao isolacionismo o uso de ñ e de ll, a morte do ç, a sobreabundância de x, a inexistência do til (~) , o sufixo –iom. Mas só isso porque, como se vê na última concessão, reclamo o -m final nas palavras, pois a fim de contas na oralidade as palavras galegas da Galiza não acabam nem em -m (nasal bilabial) nem -n (nasal alveolar), mas em nasal velar, polo que opto uma solução gráfica que é mais comum ao resto da Lusofonia. E também reivindico o léxico e soluções existentes na Galiza que mais se aproximem do resto de países lusófonos, mesmo que sejam minoritárias. E também reclamo um galego que diferencie graficamente vogais abertas e fechadas, que não siga as regras de acentuação do castelhano, e que separe os verbos dos artigos e pronome mediante um hífen.

Partindo destas premissas, que deveriam ser bastante assumíveis polo isolacionismo, um outro galego é possível, e exemplarizo-o com esta informação.

Nos últimos anos a prensa gratuíta incrementou a súa presenza no escenario informativo dos medios en Galicia, contribuíndo á diversificación da oferta informativa mediante a edición de xornais escritos integramente en lingua galega. En opinión da Secretaría Xeral de Comunicación, “estes medios contribúen ao acceso do galego ao mundo da comunicación, aumentando a presenza da lingua galega nos medios de masas e na publicidade, o que permite avanzar cara a unha oferta informativa, lúdica, cultural e formativa completa en galego”.

A partir de agora, polo tanto, todas as publicacións periódicas escritas integramente en galego (na norma ILG-RAG, unicamente) poderán acceder ás súas axudas, tamén os xornais gratuítos, que debido á forma en que se redactou o decreto, en 1994, non podían recibir estes fondos.

En concreto, o novo decreto modifica a redacción do artigo 4º do Decreto 103/1994, que excluía dos medios subvencionábeis aqueles de distribución gratuíta.

No outro galego possível, poderíamos ter o seguinte texto (marcarei em azul as alterações específicas do galego possível e mais tarde explicarei-as).

Nos últimos anos a prensa gratuíta incrementou a sua presenza no escenario informativo dos meios em Galiza, contribuindo à diversificaciom da oferta informativa mediante a ediciom de xornais escritos integramente em língua galega. Em opiniom da Secretaria Xeral de Comunicaciom, “estes meios contribuem ao aceso do galego ao mundo da comunicaciom, aumentando a presenza da língua galega nos meios de masas e na publicidade, o que permite avanzar cara a umha oferta informativa, lúdica, cultural e formativa completa em galego”.

A partir de agora, polo tanto, todas as publicaciois periódicas escritas integramente em galego (na norma ILG-RAG, unicamente) poderám aceder às suas axudas, tamém os xornais gratuitos, que debido à forma em que se redactou o decreto, em 1994, nom podiam receber estes fundos.

Em concreto, o novo decreto modifica a redacciom do artigo 4º do Decreto 103/1994, que excluía dos meios subvencionábeis aqueles de distribuciom gratuita.

Principais alterações efectuadas:

  1. Léxicas: meios por *medios. A forma “meio” (e o feminino “meia”) são formas patrimoniais galegas, cada vez com menos uso pola preferência do galego isolacionista pola forma castelhana “medio”. Fundos por *fondos, já que se trata de uma forma viva na Galiza e na Lusofonia.
  2. Morfológicas: publiaciois por *publicacións. Os plurais em -is são patrimoniais do galego oriental e próximos dos plurais do galego internacional. O galego isolacionista utiliza os plurais do galego oriental para as palavras acabadas em -l e os do ocidental para as acabadas em -m. Aqui opto por harmonizá-las em base ao galego oriental.
  3. Ortográficas: -m final sempre, acentuação comum à norma do galego internacional (à, -aria, sua, língua…) e supressão de alguns grupos cultos (aceder por *acceder).

O texto de exemplo não é lá muito variado, mas acho que basta para exemplificar que, sem medidas traumáticas, um outro galego seria possível, e isso sem renunciar essencialmente a nada do defendido polo isolacionismo, isto é, defendendo ñ e ll, características próprias do galego… é mais, esta proposta mesmo potencia as características próprias das falas galegas, já que eleva ao plano internacional formas consideradas minoritárias na própria Galiza e que não coincidem com o castelhano.

Outro tipo de mudanças que se poderiam realizar são:

Galego isolacionista actual (GIA): O conflito entre o occitano e o francés pódese arranxar con moita vontade.

Um outro galego isolacionista possível (UOGP): O confito entre o occitano e o francês pode-se arranxar com muita vontade.

GIA: As loitas de poder nos países do mal chamado terceiro mundo son inescusábeis hoxe en día.

UOGP: As luitas de poder nos países do mal chamado terceiro mundo som inescusábeis hoxe em dia.

GIA: O voo de un paxaro, como a anduriña, é belo de ver.

UOGP: O voo de um pásaro, como a andoriña, é belo de ver.

GIA: O meu avó díxome onte que quería falar comigo de algo relacionado cos animais e as adversións humanas.

UOGP: O meu avô dixo-me onte que queria falar comigo de algo relacionado cos (com os) animais e as adversiois humanas.

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