Escândalo! A Real Academia Galega aceita a palavra castelhana «calcetín»

peúgo sujoEscândalo! A Real Academia Galega aceita a palavra castelhana calcetín (veja aqui)! Resulta bastante incrível que a RAG aceite sem qualquer crítica essa palavra só porque esteja amplamente estendida e nem tão-sequer ponha empenho em recuperar a forma galega, peúga (com a variante peúgo), que como o nome sugere tem a ver com pé (vem do latim seródio peduca, e lembremos que pé era pedem no latim clássico).

Calcetín é, mire-se como se mirar, palavra castelhana, já que em galego, sendo generosos, unicamente poderia ter dado calcetinho ou calcinho, pois provém da palavra calça. As calças, antigamente, eram uma espécia de meias que cumpriam a função dos actuais mas, como as meias, cobrindo integramente desde a cintura até os pés (como as sotas do baralho 😆 ). Ao se recurtar a prenda nasceram as peúgas ou, em castelhano, os calcetines, como diminutivos das antigas calças.

Prova clara do castelhanismo é o sufixo -ín, que só se regista no galego medieval (e esta peça de roupa é, porém, muito mais moderna 😎 ) e sempre em contadas palavras (geralmente topónimos e antropónimos). Também o lexema -et- (calc-et-ín) é revelador, já que é frequente no castelhano e inexistente no galego (por exemplo, cajetín).

Resulta inacreditável que a RAG (e os seus assessores científicos, o ILG) ponha tanto empenho em difundir dialectalismos minoritários como parte da norma ou em recuperar arcaísmos obsoletos, e não faça o mesmo com uma palavra perfeitamente galega, plenamente viva na Lusofonia, e em risco de desaparição na Galiza (na minha família, minha avó paterna foi a última em usá-la, cuido que na variante peúgo).

Julgo que a atitude da RAG queda bem ilustrada com a imagem que acompanha o artigo: fede um pouco!

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