Academia Galega da Língua Portuguesa… para quem quiser aderir a ela

logo AGLP reconstruído epsOntem, dia 6 de Outubro, foi a sessão inaugural da Academia Galega da Língua Portuguesa. Antes de mais, gostaria de agradecer o convite que me fez chegar a organização, mas questões de saúde (andaço) e laborais impediram-me lá estar fisicamente.

Apesar de ter sido anunciada há já vários dias, a constituição formal e apresentação pública da AGLP parece que não deixou ninguém indiferente, em particular aos desinformados, radicais e provocadores de sempre. Estes indivíduos parece que okuparam praticamente qualquer fórum aberto da internet, em particular os meios de comunicação digitais com habilitação de comentários (Vieiros, GZnación, Galiciae…), onde não hesitaram em dizer parvoíces que com um mínimo de paciência poderiam ter evitado.

A seguir listarei algumas das falsidades que se têm dito sobre a AGLP e que se poderiam ter evitado.

  1. O nome da AGLP é um síntoma de auto-ódio. A ver, partindo de uma concepção reintegracionista, se o galego é português, o português é galego. Dito isto, e partindo de que já existe uma Real Academia Galega, não ficavam muitas mais possibilidades para escolher um nome. Numa segunda análise, pode-se comprovar que ao falarmos de Academia Galega da Língua Portuguesa o que se está e a falar de uma entidade com raiz galega focada para a língua portuguesa. Dito isto, qual o problema para os isolacionistas? Teoricamente isto não vai com eles, mas de uma iniciativa galega para uma língua estrangeira, ou? 😀 Por outra parte, o reintegracionismo fala em termos de igualdade galego-português, e tanto podes ler que se fala do “português da Galiza” (o galego) como “o galego de Portugal” (o português)… E ainda não vieram os portugueses atirar-nos pedras ou queimar-nos na fogueira :mrgreen: !
  2. A AGLP pretende diluir o galego no português. Outra mentira gratuita. De uma óptica reintegracionista, pode-se diluir uma cousa sobre si própria? Já de uma óptica isolacionista, qual o problema, se esta academia pretende falar e fazer cousas sobre uma língua estrangeira??
  3. A constituição da AGLP é uma provocação ao povo galego. E onde está a provocação? Esta academia leva o nome de “galega” porque a criam galegos e tem matriz galega. E refere-se à “língua portuguesa” por utilizar o português padrão e aplicá-lo aos seus trabalhos na Galiza. Por exemplo, o Instituto Cervantes promociona o castelhano, inclusive na Galiza, e ninguém faz escândalo (e isto pagamo-lo com os nossos impostos :D).
  4. A AGLP é um gasto ao erário. A AGLP nasce promovida por uma associação legal, isto é, a Associação Pró-Academia da Língua Portuguesa. Toda associação legal deve ter um objecto para a sua actividade, neste caso a constituição da AGLP e determinada linha de trabalhos. Sendo legal e cumprindo o objecto que levou para a sua criação, pode optar a subvenções (como qualquer outra associação, inclusive Galicia Bilingüe). Fora das subvenções e hipotéticos convénios, a AGLP não tem qualquer outra vinculação com o tesouro público.
  5. Sinto-me ofendido pola AGLP. E eu sinto-me insultado à minha inteligência constantemente e tenho de aturá-lo 😛. A AGLP dirige-se essencialmente aos galegos reintegracionistas, alguns dos quais levávamos muito tempo a esperar uma academia que nos servisse de referência no árduo caminho que é o reintegracionismo (árduo porque ao inserir-se fora do sistema educativo, obriga a ser auto-didacta) e de algum jeito coerente contribua a afixar o córpus do galego-comum (no sentido de ‘comunidade’) como parte do galego internacional.
  6. Tu dizes tudo isso porque aderes a AGLP. Em princípio, cada pessoa é livre de aderir o que quiser, com excepção do próprio ser, da família e da sua nacionalidade. Fora do biológico e das imposições políticas, na teoria somos livres. Se eu adiro a AGLP é o meu problema, mas evidentemente nem uma só pessoa está obrigada a aderir. Como nas equipas de futebol, se não gostas, procura noutro lado; vive e deixa viver. No meu caso particular, conheço todas as pessoas que integram a AGLP e sei da sua valia, com algumas mesmo simpatizo, e recebi o convite com certa ilusão. Mas, como digo, sou livre, e com as minhas preferências faço o que me peta 😀
De esquerda para direita: Joám Trilho, Isabel Rei, Concha Rousia, Montero Santalha, Isaac Estraviz e Ângelo Cristóvão
De esquerda para direita: Joám Trilho, Isabel Rei, Concha Rousia, Montero Santalha, Isaac Estraviz e Ângelo Cristóvão

 

Este artigo está incompleto: faltam os vossos comentários 😉

  • 1) Pois para min si que é síntoma de auto-odio e do que eu cualifico de “reintegracionismo asimétrico”… Que lle vou facer? E a cuestión de termos é moi importante para unha academia, ao meu entender. Aí radica a diferenza entre reintegracionistas e independentistas: o sometemento á lingua portuguesa e non á viceversa (porque, claro, á viceversa é de todo imposible).

    2) O portugués é unha lingua estranxeira… irmá pero estranxeira. E logo non? Un lingüista lusófono minimamente coherente consideraría o reintegracionismo unha deturpación do portugués.

    3) A min non me parece ningunha provocación a creación da AGLP… Cada un pode facer co seu corpo o que lle pete.

    4) A AGLP, que eu saiba, é unha entidade privada, e polo tanto ten que rexerse baixo os criterios de calquera entidade privada. Eu a iso non lle vexo ningún problema…

    5) A min tampouco me ofende a existencia da AGLP. Non comparto as súas teses, pero cada un que faga o que lle pete.

    6) Si, tedes que recoñecer que os reintegratas sodes un pouco “seareiros de fútbol” que apoiades o voso equipo en toda circunstancia (con pouca autocrítica certamente) e que tedes unha dobre vara de medir bastante potente 😀

  • 1) Pois para min si que é síntoma de auto-odio e do que eu cualifico de “reintegracionismo asimétrico”… Que lle vou facer? E a cuestión de termos é moi importante para unha academia, ao meu entender. Aí radica a diferenza entre reintegracionistas e independentistas: o sometemento á lingua portuguesa e non á viceversa (porque, claro, á viceversa é de todo imposible).

    2) O portugués é unha lingua estranxeira… irmá pero estranxeira. E logo non? Un lingüista lusófono minimamente coherente consideraría o reintegracionismo unha deturpación do portugués.

    3) A min non me parece ningunha provocación a creación da AGLP… Cada un pode facer co seu corpo o que lle pete.

    4) A AGLP, que eu saiba, é unha entidade privada, e polo tanto ten que rexerse baixo os criterios de calquera entidade privada. Eu a iso non lle vexo ningún problema…

    5) A min tampouco me ofende a existencia da AGLP. Non comparto as súas teses, pero cada un que faga o que lle pete.

    6) Si, tedes que recoñecer que os reintegratas sodes un pouco “seareiros de fútbol” que apoiades o voso equipo en toda circunstancia (con pouca autocrítica certamente) e que tedes unha dobre vara de medir bastante potente 😀

    • Porque o chamam de independentismo quando querem dizer isolacionismo :D? Também eu sou independentista, mas político 😀

      1) Se para ti o nome é auto-ódio, qual nome proporias para a AGLP?

      2) Se o português é “língua estrangeira”, porque te importas tanto polo que faça a AGLP ;)? Por outra parte, se consideras o reintegracionismo como uma deturpação do português, consideras o galego oficialista como uma deturpação muito deturpada do português!

      3) O que dizes aqui entra em contradição com o que dizes no anterior ponto.

      4) Correcto, mas parece que nalguns lugares nem todo o mundo o viu igual.

      5) Só faltava :D!

      6) E os isolacionistas não? Ai, mas vós tendes até tripla vara de medir XD!

  • por que lle chaman reintegracionismo cando queren dicir submisión cega 😀 ?

    1) eu chamaríalle así: “Academia para a portuguesización do galego”… que che parece? así mola máis APG… 😀

    2) o galego oficialista é froito da nosa evolución normal como lingua; o galego reintegracionista é froito dun “quiero-y-no-puedo-y-además-niego-la-historia” ou dun “rewind-fastforward”, como queira 😀

    3) a ver; eu non concordo coas teses da AGLP, pero reitero: cada un que faga o que lle pete. eu critico pero respecto. cada un…

    4) a min o que máis me amola é a presenza dun alto cargo da Xunta, como xa expliquei, na creación dunha academia que considera o meu idioma un dialecto, unha variante do portugués… iso si que me parece criticable, ves? ora ben, se a AGLP recibe doazóns anónimas multimillonarias pois mellor para ela!

    5) vostede supoñía que aos críticos nos “ofende” o tema… xa ve que non (a min, ofensa ningunha, vaia)

    6) non, mire. eu acepto as cousas tal e como son. vostedes non. critican desde a atalaia reintegracionista e pouco necesitan para tachar os outros de españolistas, castrapistas e outras variantes… cando xa se viu que os reintegracionistas, que non son super-homes nin super-mulleres, tamén pecan… 😀

    • Como és! Vou jogar ao teu jogo e responder com os teus mesmos argumentos.

      Porque o chamam de “independentismo” quando querem dizer submissão cega (ao espanholismo)?

      1) Eu chamaria a RAG assim: Academia para a Dissolução do Galego no Córpus Espanhol. É mais fixe, real, e culto 😀

      2) O galego oficialisat é fruto da nossa submissão e colonialismo polo reino castelhano-espanhol e o processo de substituição das nossas leis, costumes e língua polas suas. O isolacionismo é um ”
      quiero-y-no-puedo-y-además-niego-la-historia” para intentar criar uma língua independente aludindo a argumentos historicistas como o Reino da Galiza (retrocedendo praticamente à época sueva, quando Galiza como tal não existia).

      3) …

      4) A mim o que mais me amola é a presença de um ditador e de um ex ministro fascista como membros honoríficos de uma academia (a RAG) que se subsidia com o meu dinheiro… e com o da Fundación Pardo Bazán, criada na memória de uma senhora que considerava o galego um dialecto (nem “idioma” o considerava) que só servia para falar com os animais.

      5) A mim as críticas sentam-me estupendamente. E como não pertenço à AGLP, posso vê-las e analisá-las desde a distância.

      6) Eu aceito as cousas tal e como são, vocês não. Criticam desde a atalaia isolacionista (desde o poder oficialista e institucional) e pouco precisam para acusar os discrepantes de traidores à pátria, fantasiosos, “aportuguesados” (com intenção pejorativa, que eu não encontro)… quando já se viu que os isolacionistas não são super-homens nem super-mulheres e, o que é pior, nem a sua própria norma conhecem (uma cousa é não usá-la por própria vontade, e outra é não conhecê-la).

      • iso que fai vostede, o de darlle a volta ao calcetín, ben se podería chamar
        “táctica one2” 😀

        • Sim, mas o meu lado das peúgas sempre está limpo 😀

          Por certo, porque usas “calcetín” e não “peúga”, que é uma palavra galega? Minha avó também a suava (só que ela dizia “piúga”… ou dizia “piúgo”? já nem lembro).

          • “calcetín” e “peúgo” son formas admitidas pola RAG
            “peúga” con -a é portugués 😀

          • Pois logo será “peúgo” (piúgo para minha avó chairega) a forma galega 😀 Tampouco imos fazer um drama sobre a preferência da forma masculina ou da feminina. Também em Portugal preferem “raposa” a “raposo” e isso não põe em causa a unidade da língua :D! É mais, também avonda mais a forma feminina de alguns apelidos (Teixeira, Ferreira…) sendo preferente a masculina na Galiza (Teixeiro, Ferreiro…).

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