Crítica ao estudo crítico da FAQ do reintegracionismo [I]

FAQ reintegracionismo GentalhaO amigo Alema acaba de publicar no seu blogue a primeira parte de um estudo crítico às FAQ do reintegracionismo que recentemente publicou a Gentalha do Pichel. Contrariamente do que se diz por aí, o Alema conhece, e muito, o reintegracionismo, ou ao menos mais do que a média dos isolacionistas radicais. Possivelmente esse conhecimento esteja influído porque não é tão radical como nos quer fazer ver. Um exemplo da sua cultura reintegrata é o título do artigo, Estudo crítico, em clara analogia com uma das obras mais conhecidas do reintegracionismo. Feita a introdução, vámos à guerra 😀

1) Que é o reintegracionismo?

Hai reintegratas que escriben “umha“, “uma” e ata “ũa“, “relaçons” ou “relações“… e iso por poñer só exemplos que aparecen na frase que define o reintegracionismo. Polo tanto, é falso que o reintegracionismo poida establecer unha norma porque hai xa varias normas a gusto do consumidor… desde as máis supostamente galegas (umha, relaçons) ata as máis portuguesas (relações, uma). […]para min o reintegracionismo gañará credibilidade cando ofreza iso: unha norma e non un freestyle lusófono.

Primeiro seria necessário dizer que o reintegracionismo não tem uma academia que codifique a(s) sua(s) proposta(s) normativa(s)… ou talvez sim :)? Desde que existe reintegracionismo organizado, ou seja, desde que existe a AGAL, somente a Comissom Lingüística desta associação se comportou como o faria uma academia. No entanto, o isolacionismo teve desde sempre um referente, a RAG, auxiliada nas últimas décadas polo ILG. Cumpre lembrar que ambas as duas são organizações subsidiadas e apoiadas polo poder, o qual contribui a assentar as suas propostas e a evitar (ou minorar) o dissenso interno e externo.

Dito isto, não deixa de ser curioso que o isolacionismo oficial caia nos mesmos erros/contradições que o Alema critica do reintegracionismo, movimento heterogéneo e historicamente muito atomizado. A prova mais palpável é a normativa oficialista, que igual que faz a AGAL, admite soluções duplas. Assim, a RAG aceita desde as terminações mais lusistas (como -bel) às mais próximas do castelhano (-ble), e o mesmo acontece permitindo ó e ao, coa e ca… E durante anos permitiu também outro tipo de soluções duplas, como esto e isto, e que o… Parafrasando o Alema, o isolacionismo ganhará credibilidade quando oferecer uma norma e não um freestyle luso-espanhol.

2) Lusismo é a mesma cousa que reintegracionismo?

Os da Gentalha en esencia din que si, e que “lusismo” é un termo que os defensores dunha lingua autónoma aplican de forma despectiva para referirse aos reintegracionistas. E é curioso que aquí os da Gentalha non recorren á wikipedia, que claramente dá outra versión distinta:

“Enténdese que reintegracionismo é unha posición que pretende ter un achegamento progresivo, en canto lusismo directamente adoptaría a escrita do portugués do Acordo Ortográfico do ano 1990 para representar tamén a oralidade galega, como tamén sucede co resto das oralidades lusófonas”.

Alema, como diabos é que recorres à Wikipédia isolacinionista? 😀 A Wikipédia portuguesa utiliza as duas definições como sinónimas, e mesmo redigire reintegracionismo para lusismo. Em qualquer caso, as definições de Wikipédia termam do que lhes ponham, e hoje dizem uma cousa e amanhã outra. Em qualquer caso, por se mudar, colo aqui a definição que aparece hoje, 21 de Setembro de 2008, às 21:08 (hora galego-portuguesa :D):

Definição de "lusismo" na Wikipédia PT (excerto)
Definição de “lusismo” na Wikipédia PT (excerto)

E eu xuro que iso era o que tiña entendido: os reintegratas son se cadra máis “moderados” (achegamento progresivo) ca os lusistas, que defenderían unha norma idéntica para o galego e para o portugués. De feito, destacados lusistas definen as normas da AGAL coma un “portunhol 2″, tal e como se recolle neste artigo.

Radicais há em toda a parte, ho. Esses são os chamados mais papistas que o Papa, ou? Tampouco falta quem acusa a RAG de… lusista! 😀

3) Porque às vezes soa tam pouco natural a vossa maneira de falar?

Con esta pregunta da FAQ, sae o lado máis tenro e sincero dalgúns reintegratas. Porque recoñecen que moitos deles teñen orixe urbana, e ata admiten que falan con “sotaque espanhol. Para min isto xa é un paso de xigante. Eles mesmos admiten que teñen acento español, que falan un galego urbano… O malo é que se odian a si mesmos por iso e pretenden que os demais tamén o fagan. Aí é onde máis discrepamos, obviously.

Acho que aqui cometes um grave erro, assegurando que esta gente se odeia a si própria. Para começar, porque nem todos os reintegracionistas pertencemos ao mundo urbano. E para seguir, porque o processo de ser neo-falante não implica ódio cara um próprio, mas muitas vezes descobrir o próprio país. Nem todos os neo-falantes caem de primeiras no reintegracionismo, mas no isolacionismo. E esse descobrimento vem muitas vezes por convições políticas, amizades, etc.

Din tamén na FAQ que “na oralidade o normal é que as diferenças [co galego estándar] sejam poucas“. E eu digo: adepende ou aseghún. Un día habemos facer un concurso con varios audios para determinar quen fala e quen non fala en reintegrata. Seguro que todos acertamos nun 100%. Unha persoa que fala en verdadeiro reintegrata nunca pode pasar por galegofalante normal, por moito que digan que “respectan a oralidade”.

Homem, se alguém diz “fuegho” por “fogo”, “bueno” por “bom” ou “nación” por “nação”, dificilmente a reconheceremos como reintegrata… e mesmo dificilmente como galego-falante 😀

4) A única preocupaçom do reintegracionismo é a ortografía?

A teima dos reintegracionistas pola ortografía chega a niveis de esperpento en numerosas ocasións, cando renegan a palabras perfectamente asentadas no noso idioma e que non son iguais ca as portuguesas. A definición e o (ab)uso da palabra “castrapo” por parte dos reintegracionistas tamén debería aparecer na FAQ. É unha pena.

É uma teima, mas não uma obsessão. Logicamente é uma preocupação, como em qualquer movimento linguístico. Ainda me negarás agora que na Mesa pola Normalización não se preocupam pola ortografia… Claro que se importam, e muito! Questão diferente é que não o exteriorizem. É normal e natural esta preocupação num movimento que se nalgo se define é pola defesa da língua, e esta abrange muitos campos, entre eles o ortográfico. Mas como bem se diz nas FAQ, a gente reintegracionista faz muitas mais cousas do que discutir sobre ortografia, porque do contrário nem a mensagem reintegracionista teria saído nas universidades, nem os centros sociais se teriam constituído!

Ah! E como xa expresei noutras ocasións. Non dubido do traballo sobre a normalización do idioma que fai o reintegracionismo. O que sucede é que tamén considero que o seu labor pode ser contraproducente na normalización. A xente escapa do que non lle parece propio (neste caso, o portugués) e penaliza as loitas pola norma, que fan da nosa lingua unha carallada, francamente. As linguas tamén son para os non-militantes.

O reintegracionismo vê o galego como um idioma sério, e não como um idiolecto para quatro galeguinhos. A validez dos argumentos do reintegracionismo vemo-los a diário na Mesa, que não faz mais do que copiá-los (e às vezes, bastante mal).

5) O reintegracionismo é umha moda dos últimos anos ou tem tradiçom histórica?

E aquí poñen unha restra de frases sacadas de contexto por parte de notables escritores galegos (Pintos, Murguía, Castelao, Cunqueiro, Risco…). Iso si, todos retranscritos a norma reintegrata, incluídos nomes e apelidos (Antom Vilar-Ponte, Joam-Vicente Biqueira…).

Lembro-che que nos livros de texto isolacionistas aparecem “Xoán Manuel Pintos”, quando ele sempre escreveu “Juan Manuel”. O mesmo se passa com o padre “Feixó” (Feijoo) e outros.

Todo para demostrar que Rosalía, Castelao, etc. en realidade eran reintegratas! Eles, claro, obviamente non poden retrucar porque xa están mortos, pero seguro que hoxe en día fliparían con toda esta movida reintegrata se vivisen (suxiro unha sesión de oui-ja con Castelao inmediatamente!).

Dificilmente podiam ser reintegratas quando isto, como tal, não existia. Mas as suas ideias ou muitas vezes a sua prática escrita sim o eram.

A FAQ tampouco cita que a maioría dos escritores galegos contemporáneos, en plena liberdade para escoller o que lles apeteza, non opta polo reintegracionismo e si pola norma da RAG. E por que? Os reintegracionistas adoitan dicir que é porque son uns “vendidos”.

A afirmação é duplamente falsa. Em primeiro lugar, porque uma pessoa não pode escolher em liberdade sem conhecer as alternativas. Pola outra, porque até onde sei ninguém os chamou de “vendidos”, algo que curiosamente não sucedeu ao invés. O dramaturgo João Guisán Seixas, com uma trajectória cheia de prémios, deixou de recebê-los no momento em que mudou o seu “Xoán” (ou “Xan”) por um “Joám”. Da mudança deste último para “João”, sim recebeu um 😀

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