CRTVG utiliza toponímia galega deturpada (e um par de hóstias também para Xerais e o BNG)

castroriberasagalegacs0Pois assim vem sendo. A CRTVG (Compañía de Radio/Televisión de Galicia, S. A.) utiliza com relativa frequência toponímia galega deturpada. Por exemplo, nesta informação da televisão pública podemos ler que a cena está a ser gravada num lugar chamado Castro de Riberas de Lea. Alguém poderia pensar que é um facto casual, mas procurando polo topónimo “Castro” nesse mesmo web podemos dar com uma outra informação («Malia folga dos veterinarios da Xunta, normalidade no Mercado de Castro», 26/06/08) onde acontece o mesmo. E debulhando mais polo miúdo encontramos outra, e outra… Não as ligo porque sistema é bastante maçador, mas já fazemos uma ideia pola imagem que acompanha isto.

Eu não sei o que terá este pobre topónimo chairego para que os meios de comunicação façam da sua capa um saio e vulnerem constantemente a legalidade (toponímica) e incem páginas e fotogramas com esse esquisito “Riberas”. Vale que Castro não é nem a Corunha nem Ourense, mas um pouco de cuidado podiam tê-lo… e que não culpem das inúmeras gralhas o Word, porque está bem, é possível que sejam os meios impressos os que mais vulneram esta legalidade (reparemos na Voz e o seu enorme historial de “Castro Riberas”), mas tampouco no digital se livram (nem estando o BNG polo meio).

Voltemos ao fio do artigo. Os casos de deturpação não afectam só a topónimos da Comunidade Autónoma da Galiza (CAG) e à TVG. No caso dos topónimos galegos das regiões galegófonas vizinhas e que administrativamente pertencem às Astúrias e Castela e Leão, a norma é a de usá-los em castelhano. Vamos, que muito esforço (e nula naturalidade) para dizerem Badaxoz por Badajoz ou Torrexón de Ardoz por Torrejón de Ardoz, e nem pisca do mesmo para dizer os correctos Vila Nova de Ozcos, Veiga de Riba d’Eu ou Figueiras em troca dos burdamente espanholizados Villanueva, Vegadeo ou Figueras, entre outros.

Estes últimos casos de deturpação podem ser ouvidos com frequência num micro-espaço da Rádio Galega (patrocinado pola Mancomunidad Oscos-Eo). Mas, e talvez igual ou mais grave, são divulgados com as formas deturpadas entre o pessoal do ente público galego. Isto é assim porque nas agendas corporativas (ao menos na de 2007), editadas por Xerais, na parte final vem um mapa que recolhe todas essas formas deturpadas. Por certo, que essas agendas, mudando a capa e quatro cousinhas, são as mesmas que Xerais confeccionou para o Conselho Galego de Relações Laborais, contendo o mesmo problema nos mapas.

Muito fazer dicionários e vender empresa galega. Bom, se calhar estas incoerências acontecem porque Xerais anda em processo de deixar de ser galega para passar a ser franco-espanhola. Só assim consigo explicar que desde o web de Xerais não se possa mercar um livro em galego, mas através do serviço da sua empresa-mãe, Anaya/Lagardère. Por certo, que se alguém os corunheses e ourensãos têm alguma incidência no processo, terão ao seu dispor correios electrónicos de suporte técnico para “acorunya” e “orense“.

  • “hóstias”, co significado de “golpes”, non sería castrapo? 😀
    flipen co Estraviz:
    “Golpe forte, na generalidade dado com a mão ou com o punho”

    • Ei! Acabo de implementar o suporte de Gravatar (as imagens de usuário nos comentários :). É legal, eh? 😀 também activei os comentários arbóreos, assim que agora basta com dar-lhe a “responder este comentário”. Está algo escondido, assim que o porei com mais destaque 😉

  • one2

    #1 eu tamém o pensava mais nom sei nom sei hahaha veja-se //chuza.org/chios/one2/1429 e //chuza.org/chios/one2/1432 🙂

  • #1 Já vejo que editaste o teu comentário original 😀 Com efeito, antes de usar a palavra “hóstia” neste artigo, previamente consultei o e-Estraviz 😉 Inicialmente tinha posto a palavra “lapote”, pensei também em “labaçada”, mas queria algo que soasse bem forte. Hóstia!

    E sobre o artigo em si, não tens nada a dizer :)?

  • Hóstias! (Recolhido nalgum dicionário com significado de “porra” :D) A ver se vou ter de editar o título do artigo para que vos centreis!

    One2: cago no Akismet, vou ter de desactivá-lo, que se passa de listo :p Hei deixar só o Spam-Karma, de momento.

    • one2

      Seria polas ligaçons, suponho…

  • pois que vou dicir… que mal, claro! con esas cousas deberían de ser máis coidadosos… por certo. como é correctamente? Castro de Ribeiras de Lea ou só Ribeiras de Lea ou como lea é?

  • one2

    Canto ò artigo, pensava que a CRTVG se informava, ainda que fosse um chisco, antes de usar os topónimos… esperade o pior da base de dados dos topónimos internacionais que vám fazer :p

    PS: Eu pra dizer «meter ũas hóstias» adoito usar «bourar» 😀

    • Pois agora já comprovas como o de informar-se não o leva muito a sério… Polo geral, se não têm um linguista a mão, metem o soco descaradamente. E nas delegações (como a de Lugo, onde puseram o de “Riberas”) já nem linguista têm…

  • one2

    Canto ò artigo, pensava que a CRTVG se informava, ainda que fosse um chisco, antes de usar os topónimos… esperade o pior da base de dados dos topónimos internacionais que vám fazer :p

    PS: Eu pra dizer «meter ũas hóstias» adoito usar «bourar» 😀

    • Pois agora já comprovas como o de informar-se não o leva muito a sério… Polo geral, se não têm um linguista a mão, metem o soco descaradamente. E nas delegações (como a de Lugo, onde puseram o de “Riberas”) já nem linguista têm…

  • ao final non me respondiches a pregunta…
    cal é a forma correcta do topónimo? 😉

    • a min xa me cheiraba que era unha confusom ese topónimo 😀

  • A forma correcta segundo o Topogal e segundo a Comissom Lingüística da AGAL éCastro de Ribeiras do Lea. Segundo a Comisión de Toponimia da Junta é “Castro de Ribeiras de Lea”.

    Mas é necessário notar uma cousa: esse castro é uma aldeia, a aldeia do Castro, pertencente a uma freguesia que se chama Ribeiras do Lea (“Ribeiras de Lea”). Daí que os nativos digamos só Castro, acrescentando só de jeito ocasional para diferenciá-lo de algum outro Castro. Ou seja, a aldeia de Castro da freguesia de Ribeiras do Lea (situada, como diz o seu nome, à beira do rio Lea).

    Em resumo, todo isto é um enleado, mas tiramos a conclusão lógica de que nenhuma das variantes do nome (populares, oficiais ou críticas) recolhe o “Riberas” 😀

    • Alaaa, escreveste “confusom” 😀 Bom, e centrando-nos no artigo, ninguém se escandaliza com a CRTVG, com Xerais, com o BNG…? Os atentados topononímicos em TurGalicia (gerida polo BNG) vão muito mais além do “Riberas”, e dão-me para um post inteiro.

      • oh my god… am i becoming reintegrata? 😀 o de “confusom” era para ter empatía, he.

        e si, eu estou escandalizado. en serio.

        pero teño unha dúbida… iso de Veiga de Riba d’Eu é a opción reintegrata porque en galego-como-dios-manda é Veigadeo, Vegadeo ou como?

        • Tendo em conta que “Vega” não existe em galego, obviamente seria “Veiga”. Na zona todo o mundo diz (em galego) “A Veiga” (ou seja, Veiga). Documentação antiga assinala a forma “Veiga de Ribadeu”, por ser na época Riba d’Eu a vila importante do lugar, ademais de dar nome à ria.

  • madeiradeuz

    Ano 2015 e a vida continua igual

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