«Mi pobre hijiño tiene que ir a Sevilla aprender castellano»

O titular é falso, mas nem tanto como a falsa entrevista reportageada que publicou ontem o El Mundo e que referencia (em chave irónica) o digital Xornal.com. Nessa peça jornalística aparece uma senhora que supostamente mora em Vigo (Galiza). O grande drama humano desta mulherinha é que o seu filho de dez anos, em palavras dela, tem de ir a Sevilha (Espanha) para aprender castelhano porque, polos vistos, a sua escola está tão galeguizada que o pobre pequeno chega-lhe à casa falando galego ou, no melhor dos casos, uma mistura de galego com castelhano. E claro, a pobre tem de passar trabalhos redobrados desensinando-lhe o aprendido em galego para que o assimile na «lengua española por antonomasia».

Como dizemos na minha terra, após ler isso véu-me mal (traduzo: enfermei), porque a realidade que eu conheço é totalmente a contrária, e nas cidades (como Vigo) é praticamente impossível educar um filho em galego. Ainda, na Galiza que conheço não há uma só criança que não acabe aprendendo esta língua, para cujo aprendizado contribuem ao menos doze jornais diários (em castelhano), sete televisões em aberto (por uma em galego), dúzias de estações de rádio no idioma de Pérez-Reverte (por uma só em galego), centos de estreias anuais de cinema em castelhano (por dous ou três em galego cada ano), e um longo et cétera de circunstâncias.

Chegados a este ponto, e após muito cavilar, só se me ocorreram quatro opções para interpretar este choque de realidades:

  1. A senhora cujas palavras reflecte essa entrevista reportageada é, digamos, uma mentireira compulsiva.
  2. A pobre mulher padece algum tipo de enfermidade mental que a impede de discernir entre realidade e ficção.
  3. Os do jornal espanhol que transcreve (?) as suas palavras são uns mentireiros sem pudor.
  4. Provavelmente a opção mais plausível, sou eu o que vive num mundo paralelo onde se passa todo o contrário, os ratos perseguem os gatos, as truitas andam polo monte…

♫ Vamos a contar mentiras, tralará ♪

  • esa señora é máis patética ca tamara

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