Dêem-me um chão e não botarão de menos um ‘cham’

Chão do Rio (Teu)
Chão do Rio (Teu)

Nova aula toponímico-etimológica neste blogue. De todas é sabido que a terminação latina -anum deu no nosso galego-português três soluções maioritárias: -ám no ocidente, -au no centro-leste e -ão nalgumas zonas do leste e no resto da Lusofonia (onde se confunde foneticamente com -ãum). O caso é que esta aparente homonegeneidade, na Galiza, não é tão clara, e muitas vezes o afã reintegracionista aparece onde menos se espera… porque a língua, que não é parva, já está inventada, por muito que lhes doa à RAG e ao ILG.

Dizia que a divisão tradicional oeste-centro-leste, na Galiza, nem sempre é homogénea, e que a língua reclama o que lhe é próprio: a unidade. Assim, se a desinência latina era -anum, a forma hoje em dia mais próxima e, portanto, mais reintegradora (sempre visando a unidade linguística) é -ão.

Pois bem, no topónimo Chão temos tudo isto e mais. Do latino Planum temos a forma arcaica Chano e, posteriormente, Chão. Nos dialectos galego-portugueses do norte, ou galegos, a nasalidade nas vogais perdeu-se na sua maoria, polo qual subsistem preferentemente duas formas: Cham (na zona ocidental) e Chau (geralmente grafado Chao) na centro-oriental. A primeira delas, preferida polo oficialismo (mas acastrapada como Chan), conserva a nasalidade primigénia nesse -m. A segunda, contudo, conserva melhor a estrutura da palavra ao manter as duas vogais. Parece claro, mais uma vez e para evitar discusões leste/ocidente, que a forma mais (re)integradora deveria ser Chao ou, melhor ainda, Chão, que verbigratia desse til (~).

Voltando ao início, a língua reclama a sua unidade, portanto não é ver infrequente incursões de formas conservadoras ou mais reintegracionistas em territórios aparentemente ‘alheios’. Deste jeito observamos na zona ocidental numerosos Chao (que daqui em diante grafarei Chão, por coerência), como o Chão da Aldeia (Cabanas ou Fene), Chãos (Compostela), Souto Chão (Carinho), Ulfe de Chão (Cerdido) ou Rebordo Chão (Monfero) entre outros muitos exemplos.

Por certo, que o feminino de chão é chã, como a minha querida comarca da Terra Chã. Forma esta também, por certo, decote grafada como ‘cham’ na zona ocidental, levando para confusão em muitos casos entre as formas masculina e feminina. A língua, mas uma vez, é sábia e já está inventada, portanto o masculino deveria ficar sempre como chão no ocidente e o feminino como chã. Exemplos de tudo isto seriam A Chan (Chã), Vilarchán (Vilar Chão), Chandeira (Chão d’Eira) ou Vilachán (Vila Chã).

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