Da recepção das televisões e rádios portuguesas na Galiza

A solicitude de uma correcta recepção das televisões e rádios portuguesas na Galiza é uma velha reivindicação de parte do movimento normalizador galego. Especial destaque merece, polo seu empenho, a Plataforma constituída para tal efeito.

Os argumentos defendidos são inúmeros, mas o mais importante é o que tem a ver com a normalização, pois contribui a apagar a barreira mental pejorativa face a Portugal e à variante lusitana (preferiria dizer além-minhota) do nosso idioma. Ao meu ver, poderiam-se resumir em:

  1. Maiores possibilidades de escolha ao aumentar a oferta audiovisual.
  2. Menor impacto da pressão uniformizadora espanhola.
  3. Ao representar um contra-ponto aos mandados madrilenos, alicerce para um desenvolvimento mais normal e autónomo dos meios audiovisuais galegos (nomeadamente dos públicos).
  4. Ajuda à melhora do código linguístico nos meios públicos galegos e, por extensão, da cidadania galega.
  5. Interesse comercial das entidades, organizações, instituições ou empresas galegas com interesse em se anunciarem em Portugal e vice-versa, o qual contribuiria também no mútuo relacionamento transfronteiriço.

No entanto, resultam pouco críveis as escusas dadas polo primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, no sentido de haver supostas dificuldades técnicas e legais. Sobre as últimas, dizer apenas que a Directiva Europeia de Televisão sem Fronteiras e a Carta Europeia das Línguas Minoritárias e Minorizadas (ambas de obrigado cumprimento para oGoverno espanhol) alentam, promovem, fomentam este tipo de iniciativas. E em quanto as técnicas, seguramente com boa vontade seriam asinha resolúveis.

Menção à parte merece a intervenção do ultraconservador espanhol Mariano Rajoy (recolhida também pola imprensa portuguesa), para quem o importante é garantir o ensino do castelhano na Galiza (e logo não o estava!!?). Roído pola indignação, não posso menos do que compartilhar o assinado polo amigo Valentim Fagim:

Todos temos obsessões no tema da Língua. A minha é a cegueira do nacionalismo galego a respeito do “português” como ferramenta sem igual para alterar o Statu Quo nacional e linguístico. Cegueira que parece incurável apesar de todos os lampejos, de todos as faiscadas que dia sim, dia também podiam dar-lhes um pouco de luz.

Reparemos no vídeo. Perante a proposta de os galegos e galegas poderem ver as TV portuguesas, o líder da oposição, o líder do partido nacionalista espanhol, replica com……. a defesa do castelhano!. É tão difícil de ver?!

Eis a ‘classe’ política espanhola, contra a qual (mais uma vez!) reage o associacionismo galego.

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