Em favor de Yolanda Castaño (e chamamento à auto-crítica)

pecha_asfParece que houve quem interpretou a minha defesa da liberdade para os Aduaneiros como um ataque a Yolanda Castaño. Nada mais longe da realidade.

A minha primeira leitura de uma obra da YC foi, se não lembro mal, com 16 anos, um poema solto recomendado nas aulas de literatura por Xabier Cordal. Pareceu-me, nesse momento, provocador mas também bem construído. A partir dessa data continuei com leituras esporádicas da obra da poetisa, e ainda mantenho essa convicção, ao tempo que penso que as suas primeiras criações eram de maior qualidade do que as actuais (só uma apreciação pessoal e profana).

Já em Compostela tive a oportunidade de falar com a YC pessoa, não o personagem, aquando a celebração das primeiras jornadas Clave Sónica. e a verdade é que para mim foi uma grata surpresa comprovar a enorme diferença que podia haver entre o frívolo personagem e a conscienciada pessoa. E precisamente por este motivo é que não acerto a perceber o porquê da atitude no caso dos Aduaneiros sem Fronteiras.

No fio de discussão sobre esta questão em Chuza! continua havendo quem acha que críticas como a por mim realizada e iniciativas como o formulário-protesto estão fora-de-lugar, aduzindo que YC não fechou os AsF. E tem razão, mas só parte.

Aduaneiros sem Fronteiras fechou por várias razões (que tampouco é necessário explicar), das quais a última é a ameaça do advogado da poetisa de denunciar o sítio web se não retirar o jogo paródico e os comentários ofensivos.

Obviamente, uma ameaça deste tipo simplesmente seria ignorada se estivermos noutro momento histórico, mas o nefasto precedente da sentença do caso El Jueves faz com que o medo seja livre e se opte por uma decisão salomónica: se não podemos conservar a integridade do sítio web (= se nos obrigam a censurar um conteúdo é o mesmo que se não pudéssemos exercer o nosso trabalho com liberdade, e se não podemos agir com liberdade (= se algum iluminado nos pode ameaçar em qualquer momento), o nosso trabalho não faz sentido. Portanto, candado e adeus web alfandegário.

AsF têm feito pola cultura galega, pola difusão do idioma, pola normalização da crítica e polo orgulho do país muito mais do que qualquer campanha institucional (e logo!), e decerto bastante mais do que muitas obras literárias. A primeira premissa do web alfandegário é o seu subtítulo: autocrítica da razom galega. Parece que a aludida não soube encaixar a auto-crítica à que apelavam os Aduaneiros com o desenho Tu quoque, Iolanda?.

É certo, pois, que YC não fechou AsF (nunca tal cousa afirmei), mas é igualmente certo que pôs o seu notável grão de areia para que assim fosse.

Aduaneiros sem Fronteiras é um weblog dedicado a investigar nos santos mistérios da sociedade, política e cultura galegas, de um ponto de vista humorístico e maioritariamente gráfico.

Parece mentira que haja na Galiza quem não saiba o necessário que é o humor e que, como dizemos n’O Pasquim, começa por nós próprios.

Como disse uma vez um outro professor meu (conhecido comum de quem escreve mais da YC), quem não queira ser criticado, uma de duas: que não abra a boca ou que não saia da casa.

  • O caso este foi realmente raro.

    Nun artigo que puxen no meu blog de merda alguén (caladinha) fixo un comentario que me semellou interesante.

    Digo.

    E onde digo “digo”, digo Diego -Maradona-.

    Saúde!

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