A vaquinha polo que vale

vacaNos últimos dias os meios de comunicação estão alarmando de forma irresponsável sobre a subida dos preços do leite. Irresponsável, acrítica e sem qualquer sentido de país. Provavelmente se trate dos nefastos resultados do chamado jornalismo de verão, aquele no qual os chefes, desejosos de reduzir custos nas suas empresas, recorrem a mão de obra barata, uma prática que provoca que as mais das vezes haja temas importantes tratados por pessoas afastadas deles. Este parece ser o caso mencionado, o dos preços do leite.

Porque se em verdade houvesse uma imprensa nacional no País, o que faria seria alentar a que esse aumento nos preços do leite se produzisse a todos os produtores. E é que, até há mui poucos dias, os ganadeiros galegos estavam sofrendo uma pressão crítica. Essa pressão, que já forçou o feche de muitas explorações pecuárias, foi uma descida nos preços ao produtor que igualava praticamente os preços de custe.

Isto quer dizer que os camponeses galegos estavam, na sua maior parte, fazendo um esforço ingente em produzir mais e melhor sem receber praticamente qualquer lucro.
De facto, há dous meses o preço médio do litro leite na Galiza estava em ao redor de 29 cêntimos de euro e a indústria ameaçava desde Janeiro em baixar o preço 4 cêntimos mais, com o qual ficaria em 25.

Porém, desde os sindicatos agrários reclamavam, por sua parte, uma suba de 4 cêntimos para deixá-lo entre 33/34 cêntimos de euro, uma cifra considerada indispensável para garantir a viabilidade das explorações. Na Espanha, o preço médio achega-se aos 40, com o qual resulta inconcebível que a Galiza, principal produtora do Estado (em quantidade e qualidade), seja pior paga.

O que deveria fazer um jornalismo nacional e responsável é analisar porque motivo o preço do leite pago ao produtor não fez mais do que baixar na última década, enquanto o preço pago polo consumidor final apenas subia, subia e subia. A seguir, formulamos uma pequena incógnita:

– Produtor (X) vende o leite a indústria (Y), e esta por sua vez aos estabelecimentos comerciais (Z), que em última instância vendem aos consumidores (C).

– O preço pago a (X) baixou, e o preço oferecido por (Y) a (Z) e de (Z) a (C), só subiu.

– Agora, o dinheiro que recebe (X) sobe, mas também sobe o preço polo que (Z) vende a (Y) e polo que (Y) vende a (C).

Pergunta: se (X) não foi quem ganhou, como tampouco parece que (C) tenha ganho, quem saiu ganhando todo este tempo?

Seleciona o texto abaixo (que está escrito a branco) se quiseres ler a solução.

– Pergunta: se (X) não foi quem ganhou, como tampouco parece que (C) tenha ganho, quem saiu ganhando todo este tempo?

A incógnita resolve-se com a seguinte equação: C=X+Y+Z, onde o preço que paga o consumidor (C) é igual ao que a indústria (Y) paga ao produtor (X) mais o que os comércios (Z) pagam à indústria (Y).

Então, quando a variável C (o que paga o consumidor) sempre aumenta, enquanto X sempre baixava (até agora) e X e Y continuam aumentando…

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