Touradas e chegas de bois: selvajarias

Acho que já vai sendo hora de reflectirmos um pouco sobre a nossa essência nacional, sobre as tradições próprias e sobre as importadas do estrangeiro. Mas também, e sobretudo, sobre a condição humana.

Desde sempre, posicionei-me de forma incondicional com todas aquelas plataformas e/ou colectivos que trabalharam arduamente por intentar expulsar as touradas (corridas de toros) do nosso país, por muito que o seu trabalho seja muito menos conhecido do que o realizado por homólogos catalães.

Mas juntamente com o trabalho por intentar expulsar do nosso país esse costume bárbaro que é o maltrato animal por diversão (que com a lei na mão deveria estar punido até nas televisões), outro tanto se deveria fazer com as chegas-de-bois, tradição não menos brutal por muito que esteja presente no nosso país desde vários séculos atrás.

Não duvido que possa ter algum valor etnográfico, mas não é motivo suficiente como para fazer perviver um acto cruel e gratuito de sofrimento animal. U-lo divertimento? Eu não o encontro.

Por outra parte, tenho lido e escuitado com horror argumentos pseudo-ecologistas para defender esta prática, alegando que apenas graças às chegas a raça de boi utilizada conseguiu sobre-viver até os nossos dias. Pois bem, tenho a certeza de que se tão necessário é garantir a diversidade genética e a pervivência desta raça, haverá jeitos bem menos brutos para conseguir o objectivo.

Para concluir, tenho o convencimento de que a identidade galega se veria reforçada eliminando as chegas, e muito mais se esta tradição se abolisse antes do que as touradas. Ao menos em minha opinião, costumes bárbaros e cruéis como as touradas ou as chegas não quadram demasiado com identidade galega. Ou não, ao menos, com a imagem que eu tenho dos meus e das minhas compatriotas.

  • Ulmo de Arxila

    Tradiçom compartida com as terras portuguesas, como um bom conhecedor do mundo de Além-Minho saberá (//www.rotas.xl.pt/0201/a03-00-00.shtml)
    Nom há melhor resumo que o do título do teu post: selvajarias.

  • Suso

    Chega de brutalidade!!! O verão já está aqui e, como cada ano, virá acompanhado das repugnantes “ferias” taurinas da Peregrina, de Maria Pita… Algo haverá que fazer!

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