Tribos reintegratas na Galiza (I)

Através do blogue do Suso leio um interessante artigo do Ghanito titulado «Reintegratas new age». Após a leitura do texto (que recomendo efusivamente), fiquei com vontade de escrever o post que agora ledes, e no qual farei introspecção e prospecção etiquetadora (função esta última que odeio profundamente) sobre as tribos reintegratas na Galiza.

1.- Talibãs da língua

Este é o nome polo qual são conhecidos habitualmente pessoas com posicionamentos maximalistas no respeitante a língua. Trata-se de indivíduos que habitualmente possuem uma amplíssima bagagem cultural e extraordinário currículo académico, mas que da sua atalaia repetem consignas doutrinantes. Para lá de gastarem fôlegos, não conseguem nada, e contribuem a aumentar os já perigosos níveis de crispação linguística no país.

2.- Reintegratas ‘new age’

reintegrata newageO artigo do Ghanito vai sobre este grupo. O ‘rosto amável’ do reintegracionismo, pessoas (habitualmente jovens) que fazem do humor a sua ‘arma’. Longe da crispação e carácter doutrinante do grupo anterior, os indivíduos deste segmento possuem grande capacidade de diálogo, paciência, capacidade de ridículo e amplo sentido do humor.

3.- Lusistas utópicos

Trata-se de indivíduos cujo reintegracionismo não passa da retórica. Defendem pola boca pequena a unidade linguística galego-portuguesa, mas não deram passos à frente na prática. O termo, ao que sei, alcunhara-o o professor Xavier Vilar Trilho num artigo publicado tempo atrás em Vieiros, e recentemente Valentim R. Fagim recuperou-no num outro texto. Resumindo, os “lusistas utópicos” são “isolacionistas práticos”.

Considerações (I)

Após fazer esta prospecção, imos com a introspecção. Particularmente, não me incluo em nenhuma destas três categorias. Na última, na dos lusistas utópicos, já há avondo tempo que não me situo. Sobre as outras duas, acho que tenho parte de ambas.

Para muitas pessoas sou um talibã, principalmente porque sou demasiado purista no aspecto linguístico. Porém, é uma opinião que têm de mim as pessoas que não me conhecem, já que o purismo linguístico já o tinha quando era isolacionista 😉

É claro, tampouco sou exactamente um reintegrata new age. A verdade é que as pessoas que me conhecem sabem que tenho um grande sentido do humor, o que se passa é que habitualmente não o exibo e revisto-me involuntariamente de uma aparência séria, tanto no rosto quanto à hora de escrever.

Considerações (II)

Apesar de ter muito claro o meu conceito de ‘galego’ e da galeguidade, nunca discriminei os meus conterrâneos pola sua escolha isolacionista, mais que nada porque careço de provas de eu ser melhor galego do que eles por ser reintegracionista, tal e como já tenho assinalado.

Do que estou convencido é de que se precisam menos talibãs do que for e de que o sentido do humor (menção à parte para o ridiculismo, do qual já falaremos) é a melhor via para fazermos chegar à sociedade galega a nossa proposta. Uma proposta, por sinal, que se defende a si própria pola sua validez, coerência, consistência e utilidade 🙂

E volvendo a linhas precedentes, no hipotético caso de eu ser um reintegrata new age, ou bem um talibã, o que está claro é que o seria muito ‘de aquela maneira’. Vós, que me conheceis um pouco, onde me situais?

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