Galegos/as sem complexos e dicionários próprios

Nos últimos dias, o Congresso espanhol dos deputados aprovou «solicitar» à Real Academia Española a eliminação as acepções pejorativas do verbete gallego.

A proposta, como não, partiu do deputado nacionalista Francisco Rodríguez Sánchez, líder da UPG, o mesmo ilustre filólogo que pedira anos atrás facilidades para corrigir a castelhanização de apelidos como Janeiro (???).

O problema de muitos galegos, não apenas os residentes na capital pequeno-imperial, é que vêem o castelhano (a começar pola RAE) como referência culta para os usos correctos do idioma… ou bem um enorme complexo cara ao que pensam de nós.

E digo eu: o que nos importará aos galegos o que os espanhóis (ou hispano-falantes em geral) pensem de nós? Abofé que nenhum de nós gostamos de ser insultados, e menos numa obra tão consultada diariamente como um dicionário académico, mas imagino que até o próprio Rodríguez seria quem de perceber o absurdo da proposta.

Absurdo, porque a petição apenas atinge à RAE. Por que não se dirigem a outras editoriais de dicionários de castelhano para pedirem a supressão dessas definições? Por que não se estende o labor fiscalizador para as academias e editoriais de dicionários de outros idiomas? Claro que, sem sairmos do nosso, nalguns dicionários portugueses figura a acepção «moço de fretes» ou «moço de esquina».

Mas não é assim. O labor fiscalizador dirige-se à instituição que faz o dicionário oficial do castelhano, a RAE… Um deputado nacionalista (e todo o seu partido por trás) solicitando correcções a uma instituição estrangeira sobre o dicionário de um idioma estrangeiro. Este despropósito, se se faz, será acho eu porque os nacionalistas galegos dão por boa nalguma medida a autoridade de uma instituição espanhola. Ver para acreditar!

  • Ulmo de Arxila

    Mais umha vez, concordo plenamente com as sábias palavras do Galeguzo.
    Uns polos outros e a casa sem varrer…

  • O impertinente Uz

    Obrigado polo comentário, meu 🙂

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