Como ser popular quando se carece de talento…

interroganteNos últimos tempos venho rumiando um pensamento: o que faz que dia sim, e dia também, tenhamos de ouvir/ler/ver determinados personagens e infrasseres que pululam por todo o circo mediático que temos ao nosso redor? Porquê razão caímos habitualmente na experiência masoquista de querermos saber o que pensam e como agem esses sujeitos empíricos?

Aos poucos, e com um método nada científico, fui chegando à conclussão de que tudo obedece, em essência, a algum dos seguintes três factores:

  • Ao grau de proximidade/antagonismo que partilharmos com eles.
  • À magnitude das suas boutades (vulgo ‘bastadas’).
  • A sua relevância mediática.

A primeira cai de caixão, enquanto a terceira está muito influida polas outras duas e subordina-se sempre ao consumo que os espectadores/leitores façam dos (sub)produtos protagonizados por essas pessoas.

No entanto, em muitos âmbitos está adquirindo cada vez maior presença o segundo componente: a capacidade de dizer burrices sem avermelhar-se, o ser capaz de soltar animaladas (a qual mais grande) sem qualquer reparo ético ou lógico. No plano dos infrasseres catódicos, um dos últimos personagens em saltar à esfera do popular é um medíocre publicista, Risto Mejide, que mercê à sua capacidade de insulto e insolência arrassa em audiências.

No plano politicalheiro já conhecemos sobradamente a capacidade de Eduardo Zaplana para mentir sem vergonha, difamar sem limites e insultar com veemência. E de volta aos meios… quem é mais popular nestes momentos, o correcto Iñaki Gabilondo ou o visceral Federico ‘Chucky’ Jiménez Losantos? De quê artigos se fala mais na Galiza (quando se fala), dos do veemente Xosé Luís Barreiro Rivas ou do espanholista (ex da UPG) Juan José Calaza?

A internet não é excepção: os meios e webs com comentários mais viscerais, polémicos, difamatórios sempre têm uma audiência fiel que os respalda, e as suas ‘plumas’ mais radicais são também as mais demandadas. Será que, no fundo, ainda conservamos o instinto animal e acudimos ao sangue? Será tão doado fazer-se popular carecendo do mais mínimo talento?

  • a randeeira

    Non influirá tamén a xenética? Porque moito fillo de popular segue os pasos paternos (iso si colocado nunha boa posición de saída).

  • marykinha

    Psss eu creo que o problema somos a sociedade por deixar que estos individuos pasen a formar parte da nosa vida cotiá.
    Cando a miña nai era pequena, aspiraba a ser unha dona do seu esposo, unha Jackeline Kennedy ou o máis semellante a unha Isabel Presley.
    Na miña xeración todas aspirábamos a ser unhas Lady Di, unhas plebellas que conseguisen entrar nos corazóns so subditos dunha nación.
    No final da miña quinta e da quinta da miña irmá, queren ir a Gran Hermano e programas do estilo e en breve, as nenas quereran ser Ana María Ríos da vida…
    Eche o que hai!!!

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