Demanda do idioma e uso real

ulos falantes de irlandêsEm diferentes inquéritos, é muito frequente escuitar pessoas na Galiza dizerem que não falam galego, mas que gostariam que o nosso idioma tivesse mais falantes, e reconhecem-se favoráveis a medidas que impulsionem o uso da nossa língua nacional. Porém, justo a seguir criticam que se esteja a impor (!?) o galego, que se discrimine a quem falar castelhano (!!??), e as estatísticas e a percepção diária demonstram que os usos do nosso idioma não deixam de diminuir.

Na formosa Ilha Verde passa-se algo similar, mas a pior. Apesar de terem conseguido a independência há mais de três quartos de século e de terem feito do gaélico primeira língua nacional e apesar de assegurarem os inquéritos que 1/4 dos irlandeses fala ou é favorável a falar o idioma, a realidade revela-se adversa. Na República de Irlanda, no seu dia-a-dia, falar irlandês é quase uma proeza.

Pode dar fé o jornalista Manchán Magan, quem se fez o propósito de percorrer a República de cabo a cabo falando apenas na primeira língua nacional, na língua própria do país, em gaélico/irlandês. Muitas das situações que nos descreve resultam-nos familiares aos galego-falantes da Galiza. Caras de assombro, negativa ao atendimento, pedimento para mudares de idioma…

Seria difícil (mas não impossível) acontecer-nos na Galiza o que a Magan, seria complicado que muitas pessoas educadas no nosso idioma não percebessem o que lhes estamos a dizer. Poderiam não falá-lo, mas não deixar de perceber. Claro que, a fim de contas, galego e castelhano são línguas latinas, enquanto o irlandês é celta e o inglês é germânico: não há uma intercompreensão mínima que lhes seja inerente.

No entanto, e apesar das relativas diferenças, a crónica de Magan (convertida também em docu-série) serve-nos para extrair uma grande lição: pouco ou nada têm a ver a demanda do idioma e as boas intenções de palavra com a crua realidade.

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REL: sítio web do jornalista Manchán Magan incluindo a sua experiência, anunciando a docu-série e alguns vídeos que colou na rede muito reveladores da situação linguística actual na Irlanda.

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VIA: Chuza!

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