Nazón de Breogán: descontextualização supina

Ontem fum ver a exposição «Nazón de Breogán» (que organiza a Vice-presidência do Quintana), motivado polas boas críticas que lhe lim em diferentes meios de comunicação que tenho como referência para mim.

Supostamente, a mostra faz um percurso pola história do país desde as suas origens até o ano 1936, com motivo da celebração este ano do 70º aniversário do plebiscito com que se aprovou o primeiro Estatuto da Galiza. Outro objectivo (supostamente) era o de dar homenagem aos galeguistas que trabalharam polo autogoverno do país e também reforçar o sentir galego da população nestes momentos de debate sobre o terceiro Estatuto galego.

Pouco ou nada vim disto.

Para começar, a exposição não acaba no ’36. Faze-o, como mínimo, no 1945, sem que em nenhures se nos expliquem as razões. A seguir, a exposição articula-se com vários painéis, alguns quadros e quatro ou cinco elementos singulares sem que pareça existir uma ordem que o explique; ainda que se alvisca algures que pode ser por cronologia (que nem sempre coincide).

Nazón de BreogánFalando de cronologia, a descontextualização dos elementos é uma constante. Por uma parte, porque a muitos elementos da exposição falta-lhes a data. Pola outra, porque não se explica de onde vêm, como era o seu tempo ou as suas relações com os elementos do lado. Há uma ausência quase total de interpretação dos elementos, como uma maqueta do Castro de Vila Donga ou umas cerámicas de Sargadelos, que apenas ficam explicados por um pequeno cartão.

O desenho parece-se mais com a linha do tempo de uma página web, com alguma imagem, destaques de texto e muito cromatismo que uma exposição que pretende abrager a história de uma nação, muito pequena, se atendermos ao enorme espaço desaproveitado, com todo um piso inferior ocupado por quatro estátuas de cartão-pedra.

A todo isto, que a exposição passa olimpicamente polas etapas da Idade Média em que a nossa Pátria foi um país independente. Devêrom pensar na organização que avondava com quatro mapinhas velhos, seródios e mal debuxados para reflectirem-no (e se ao menos estivesse bem reflectido…!). Isso sim, fala muito das Cantigas de Santa Maria, escritas polo monarca castelhano (embora criado na Galiza) que começou o processo de castração do País. O salto de etapas históricas sem qualquer justificação e as ominosas omissões não deveriam passar despercebidas para nenhum(a) galeguista.

Contrariamente a outras exposições que já tenho visto no Centro Cultural CaixaGalicia (como a da Frida Kahlo), a esta falta-lhe um material audiovisual que podia ser bem interessante. Nem sei, se quadra algum dos comprometidos discursos de Castelão nas Cortes espanholas ou dos líderes galeguistas chamando a votar o Estatuto.

Deixando passar que obvia radicalmente o independentismo galego, finalizo esta crítica denunciando que vim demasiada fotografia e pouca reflexão. Creio mais interessantes o pensamento e debate das diferentes épocas do que os retratos, que a verdade é que me dixérom bem pouco e estivem fartos de vê-los nos meus livros de secundária. Botei em falta mais recortes de imprensa, mapas do Reino da Galiza (o independente, não o já submetido à Castilha), extractos de documentos de época, diários de sessões, fragmentos de arquivos históricos…

Serei eu o único que encontrou problemas? Nem sei. Afortunadamente sei que tu, que vinheste comigo, e que me ajudaste a organizar esta crítica, também achas que «Nazón de Breogán» é manifestamente melhorável e pura descontextualização supina. Verdade ;)?

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