Dia da Pátria

Embora sou dos que acham que o 25 de Julho não é a data mais apropriada, mais um ano irei celebrar esse dia do Dia da Pátria. Por que eu, tão pouco dado às celebrações em geral, penso festejar a efeméride? Por exaltação nacionalista? Por efervescência patrioteira? Não: por coerência.

Coerência, em primeiro lugar, comigo próprio, que baseio muitas das minhas acções vitais no convencimento de que o nosso país deve aspirar a se comportar como um país. Coerência cara ao que pensam muitas das pessoas que trato. Coerência (e respeito) cara às muitas pessoas que têm trabalhado arreu para conseguir melhores quotas de bem-estar dentro do nosso país. Coerência, enfim, cara ao facto de que todos os países têm ao menos uma jornada ao ano na qual celebrarem a sua existência.

GZsomosnós E claro, se eu sou galego é porque primeiramente existe a Galiza (se fosse polonês, seria devido à Polónia), e posto que estou satisfeito com a minha condição galega e nesta terra tenho as minhas raízes (e alguma também em Portugal), pois nada, dou graças a que existo e agradeço-lho um pouco a este país tão historicamente maltratado.

Historicamente maltratado porque mesmo a sua História está deturpada pola historiografia oficial espanhola, que lhe nega a sua existência no meio de grandes incoerências (deixo-as para um outro episódio). Já que logo, comemorarei o Dia da Pátria movido também por um certo afã de reivindicação histórica.

Como apontamento final, dizer que embora oficialmente o 25 de Julho seja ‘Dia da Pátria Galega’, para mim o apelido sobra. E logo de que pátria será, se estamos na Galiza? É ‘Dia da Pátria’, não ‘Giorno dalla Patria’, ‘Dia de la Pàtria’, ‘Jour de la Patrie’ ou ‘Country’s Day’. Se estivesse a festejá-lo desde a França, por exemplo, se quadra sim fizesse sentido falar do ‘Jour de la Patrie Galicienne’, mas não é o caso. Alguns apelidos denotam certo complexo de inferioridade ou excessivo zelo reivindicativo. O como diz o dito, o bom, se breve, duas vezes bom.

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