Galiza, cem por cento original

O Congresso espanhol aprovou ontem que todos os documentos eclesiásticos galegos que foram roubados dos mosteiros do nosso país após as desamortizações do séc. XIX regressem à Galiza.

Paco Rodríguez
Paco Rodríguez

Porém, e contrariamente do que passou na Catalunha, não regressarão os preçados originais que constituem uma parte insubstituível do nosso património histórico, lingüístico e cultural: o que virão, se vinherem, serão apenas vulgares reproduções.

Este é resultado de uma proposta do ‘nacionalista’ Francisco Rodríguez, quem para conseguir o apoio do PSOE renunciou ao espírito original do texto, que reclamava a devolução dos documentos.

Alguém que se diz galeguista e orgulhoso de ser galego, alguém que presume de saber da História do País e de apreçar o património, NUNCA deveria aceptar a uma renúncia de tal calhado. Aceitar esta solução intermédia (cópias por originais) com a escusa primária de poder desfrutar destes documentos na sua terra de origem seria igual a admirarmos uma reprodução do Pórtico da Glória feita com barro.

Domingo Tabuyo
Domingo Tabuyo

Por certo, que não é o Coronel o único culpável desta impensável baixada de pantalões. Um ‘socialista galego’ também deve muitas explicações. Trata-se de Domingo Tabuyo, quem pactuou com o Grupo Popular a emenda que logo deu a Rodríguez para trazer à Galiza burdas cópias do seu passado e da sua cultura.

Por se ainda ningúem se faz uma ideia da importância destes documentos, dizer-lhes que alguns são do século IX, nos alvores mesmos da nascença da nação documentada mais antiga da Europa: a nossa.

No seu momento, no XIX, o expólio serviu também para ocultar uma parte importantíssima da História da Galiza e substitui-la por uma tergiversada História da Espanha que anulava a existência de um Reino da Galiza para lá do ornamental e que supeditava a Galiza à Coroa leonesa e posteriormente à de Castela.

O agrávio comparativo no que diz respeito dos mal-chamados Papéis de Salamanca (que nunca foram dela, mas das suas terras de origem) leva-nos aos galegos a sermos tratados como subespanhóis de segunda. E é que até para as misérias existem as categorias!

  • gallaecus

    gostei tanto do post que o plagiei (citando procedencia) no meu blogue.

  • Uz

    Plágio? Que va! Consideremo-lo “respeito às licenças Creative Commons” (Madeira de Uz acolhe-se a elas).

    Saúde!

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