Galega sem complexos

Isto é uma história baseada em acontecimentos reais…

Querido diário,

ontem fum a Bustelo, uma pequena localidade do norte de Portugal, para tocar com as companheiras e companheiros do grupo.

Fomos convidados para uma actuação musical, e acudim com a ilusão própria de quem vai fazer uma viagem internacional e quer deixar bem alto o pavilhão da sua gente.

A primeira impressão não me agradou grande cousa: uma enorme faixa falava de um “encontro folque luso-espanhol“, onde tocariam “4 grupos portugueses e 1 espanhol“. Recei para não ser do grupo espanhol, mas creio que já era tarde.

Estacionámos. Baixo do auto-carro e recebe-nos um senhorinho já algo maior com uma gorra na cabeça que põe “100% Spain“. O homem, contrariamente ao que poderia indicar a gorra, é e fala português. Vergonha alheia.

Próximas/os da actuação, alguém nos pergunta “e de que parte da Espanha sóis?”. No limite da minha paciência, aclaro que não vimos da Espanha, mas da Galiza. “Aaaa…! Da Galiza…! Ahhh…! Tá bom, tá bom”.

Justo antes de actuarmos, apresentam-nos. Agora somos “Da Galiza (Espanha)”. Pouca melhora, mas algo é algo.

Se alguém me chegasse a dizer “se Portugal não se classificar; ânimo, Espanha!”, poderia ter perdido a compostura.


Dedicado a uma moça 100% galician (sem complexos).

  • eu no xardín

    Para un melhor conhecemento da xeografía portuguesa, lembrar que o lugar no que se produciu tal acontecemento foi en Bustelo, si, mais no Bustelo de Penafiel, non no de Amarante. Ambas as dúas son localidades próximas, pertencentes ao distrito do Porto.

    Botouse moito en falta o rigor histórico e a consideración por parte dos autóctonos. No trato persoal, nada que dicir, ao contrario, os penafidelenses desbordaban amabilidade.

    Si se notou de xeito agravado na forma en que anunciaron a procedencia da agrupación e na reiterada alusión ao estado espanhol.

    Só era preciso unha olhada ao pasado recente para darse conta da orixe do grupo e cambiar o ‘espanhol’ por ‘galego’. Iso reforzaría os vínculos entre ambas as dúas agrupacións e posibilitaría un melhor achegamento, en termos de quen ten un mesmo ascendente cultural e lingüístico.

    O grupo ía en representación da cultura e tradición galega, non de ningunha outra. E non é a primeira vez que algo así acontece cando este grupo se despraza cara o país vecinho; nin creo que sexa a última.

  • Ulmo de Arxila

    Nen será a última. Tristemente.

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