Menos mal que nos queda a AGAL

Estou que não mejo após ter lido o artigo ‘A desgaleguización académica’, que assina o professor Manuel Rodríguez Alonso (Riba d’Ávia, 1957) no último número d’A Nosa Terra (n.º 1.225, p. 14; do 1 ao 7 de junho de 2006), e no qual analisa uma das últimas criaturas paridas por esse aberrante e incoerente ente chamado ‘Real Academia Galega’: o Dicionario castelán-galego.

As críticas que faz o professor Rodríguez Alonso têm a ver principalmente com:

  • (1) os critérios de selecção do léxico
  • (2) a adequação à norma (acentuação, sintaxe, gramática, léxico, morfologia…)
  • (3) fraseologia e léxico
  • (4) erros de fábrica e questões várias

No que diz respeito do aspecto (1), Rodríguez Alonso denuncia que na hora de seleccionar os termos castelhanos que se traduzem para o galego existem ausências clamorosas e inclusões que pouco têm a ver com a história do país. Exemplifico a crítica com três citações do artigo:

(…) temos que pasar pola vergoña de que a nosa Academia desaconsella termos galegos que a RAE si recolle como galeguismos do castelán (…). É o caso de ‘saudade’. (…)Pero a nosa Academia (…) propón (…) este último [termo] entre comiñas inglesas, sinal con que marca os termos (…) desaconsellables.

Non aparece (…) como entrada ‘galleguista’. Si recolle a RAG ‘catalanista’. Para a nosa institución non existen os ‘galleguistas-galeguistas’. Non sabemos (…) como (…) chamaremos ao Partido Galeguista que, segundo os nosos académicos, nunca debeu existir.

O descoñecemento da historia e tradicións de Galicia segue con moitas outras entradas. (…) A redacción que fai da entrada ‘provincialismo’ é para chorar, pois este movemento non existiu en Galicia se lemos o citado dicionario da RAG. (…) nin figura como entrada. (…) Parece que no canto de estar redactado [o dicionário] na Coruña da Academia, da Cova Céltica e das Irmandades fose elaborado en La Coruña de Vázquez.

Sobre o aspecto (2), Rodríguez Alonso salienta a incoerência dos académicos responsáveis por este dicionário que, segundo parece, nem conhecem as normas das que teoricamente são baluarte. Assim, fica proscrita no dicionário a terminação –bel em benefício de –ble, quando a última redacção das NOMIG (Normas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galego) dá preferência à primeira das formas. O despropósito segue com falhas na acentuação próprias de rapazes da ESO.

Para não aborrecer, passamos ao aspecto (3), onde o professor R. Alonso critica nos nossos académicos e académicas inúmeras interferências do castelhano como o queísmo e decalques clamorosos. Assim, traduz-se ‘hueso de la fruta’ por ‘óso da froita’ e não por ‘carabunha’ ou ‘cóia’ (carabuña, coia). Igualmente, ‘bobo’ fica sem tradução, quando temos de nosso palavras como ‘parvo’, ‘pailão’, ‘pasmão’, ‘papão’ ou ‘fato’ (parvo, pailán, pasmón, papón, fato).

Em acabando, no ponto (4), R. Alonso fala das entradas ausentes e da deficiente elaboração do dicionário, que “salta da páxina 288 á 321 e non vemos por ningures as letras w e x”. Como reflexão final, compartilho a indignação do professor quando assinala que:

Eu creo que xa é hora de que os galegos saibamos canto nos custan estes dicionarios (…), pois os directores destas obras aparecen como a caldeira do polbo en todas as festas subvencionadas e dáme a sensación de que non controlan nada. (…) tamén me molesta ver o nome da Academia unido ao de Barrié de la Maza, conspicuo franquista (e como tal, perseguidor do galego) (…).

Particularmente, logo de ter visto/ouvido cousas com anterioridade, e após comprovar esta outra, cuido que já pouco me pode surpreender a RAG. Por sorte para as/os galego-falantes, “menos mal… que nos queda a AGAL“.

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