Galician Yeats

Yeats galegoHoje apetece-me recomendar a leitura da óptima tradução de Yeats que fez Paulo M. Lema, número 1 da última promoção de Filologia Galega.

É à vista de pequenas maravilhas coma esta (cuja leitura, ainda, é de graça) que podes sentir correr polas tuas veias o renxe-renxe de traduzir (de novo). Talvez traduza algum dia as fábulas de La Fontaine ou de Esopo

Como estava um bocadinho aborrecido deu-me por traduzir ao padrão uma fábula de La Fontaine. Parece que ainda me lembro um bocadinho do francês…

L’avantage de la Science (A vantagem do conhecimento)

Entre dous burgueses de uma cidade
houve antano um sonoro desacordo.
Um era pobre, mas hábil;
o outro rico, mas ignorante.
Este último, sobre o seu competidor
queria fazer valer vantagem:
pretendia que o homem completamente sábio
o tivesse de o honrar.
Este era completamente parvo; porque para quê reverenciar
bens carentes de mérito?
A razão parece-me pequena.

“Meu amigo”, dizia ele decote
ao sábio,
você acredita-se respeitável;
mas, diga-me, tem você mesa?
O que serve aos seus iguais lerem sem cessar?
Sempre são acolhidos no faiado,
vestidos no mês de Junho igual que no de Dezembro,
tendo como único lacaio apenas a sua sombra.

A República tem uma boa relação
de gente que nada gasta:
eu apenas acho homem necessário
aquele cujo lujo expanda muito bem.
Nós usamo-lo, Deus sabe: o nosso prazer ocupa
o artesão, o vendedor, aquele que faz a saia,
e aquela que a leva, e você, que dedica
a senhores, as gentes das finanças
cheios de livros malvados.

Estas palavras cheias de impertinência
tiveram a sorte que mereciam.
O homem letrado calou, tinha demasiado a dizer.
A guerra vingou-o bem melhor que uma sátira.
Marte destruiu o lugar que a nossa gente habitava.
Ambos os dous abandonaram a cidade.

O ignorante quedou sem asilo;
recebeu despreço em toda a parte:
o outro recebeu em toda a parte algum favor novo:
isto decidiu a sua disputa.Deixai falar aos parvos; o saber tem o seu prémio.

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